A substituição de carboidratos glicêmicos por inulina da chicória reduz a resposta de glicemia e insulina pós-prandial.

INTRODUÇÃO

Cada vez mais a população está se conscientizando que os carboidratos não são todos iguais para o organismo. Dependendo de sua absorção, da presença de fibras ou não, por exemplo, pode-se retardar a liberação de insulina pelo corpo, diminuindo assim seu índice glicêmico.

Um recente trabalho no European Journal of Nutrition efetuou dois experimentos distintos, confirmando os benefícios da fibra inulina, derivada da raiz da chicória sobre os riscos metabólicos – incluindo o controle dos níveis de açúcar no sangue.

Os estudos testaram a glicemia e a insulina em adultos saudáveis após consumirem alimentos que eram idênticos na composição, mas que continham açúcar ou açúcar parcialmente substituído com fibras de raiz de chicória (oligofrutose ou inulina).

O primeiro estudo utilizou 250g iogurte (20% da sacarose substituída por oligofrutose) e, comparado ao iogurte sem a substituição parcial, observou uma redução de 14% na glicose sanguínea, e a resposta à insulina sofreu uma redução de 17%.

O segundo estudo utilizou-se de 110g de gelatina de fruta (30% da sacarose substituída por inulina) e, comparada à gelatina sem substituição parcial, observou-se uma redução de 16% na glicose sanguínea, e a resposta à insulina sofreu uma significante redução de 40%.

Além dos efeitos pós-prandiais agudos destacados na presente publicação, evidências anteriores apontam que os frutanos do tipo inulina também demonstram ter benefícios em longo prazo para a gestão da glicemia, ou seja, níveis mais baixos de glicose no sangue em jejum e uma redução da glicemia pós-prandial também após a ingestão continuada dessas fibras.

A substituição de carboidratos glicêmicos por inulina da chicória reduz a resposta de glicemia e insulina pós-prandial.

Autores: Helen Lightowler, Sangeetha Thondre, Anja Holz, Stephan Theis – Recebido: 15 de julho de 2016 Aceito: 19 de fevereiro de 2017 Springer-Verlag Berlim Heidelberg 2017

 

OBJETIVOS

Os frutanos do tipo inulina são reconhecidos como fibras prebióticas dietéticas e são classificados como carboidratos não digeríveis, não contribuindo para a glicemia. O objetivo dos presentes estudos foi investigar a resposta glicêmica (RG) e a resposta insulinêmica (RI) a alimentos nos quais a sacarose foi parcialmente substituída por inulina ou oligofrutose proveniente da chicória.

MÉTODOS

Em um projeto cruzado, duplo-cego, randomizado e controlado, 40-42 adultos saudáveis consumiram uma bebida de iogurte contendo oligofrutose ou gelatina de fruta contendo inulina e as respectivas variantes com açúcar. A glicemia e insulina capilar foram medidas nos participantes em jejum e nos minutos 15, 30, 45, 60, 90 e 120 após começarem a beber/comer. Para cada alimento teste, calculou-se a área incremental sob a curva (iAUC) para a glicose e a insulina e determinou-se o RG e RI.

RESULTADOS

O consumo de uma bebida de iogurte com oligofrutose (reduzida em 20% de açúcar) diminuiu significantemente a resposta glicêmica comparada à variante com açúcar total referente (iAUC120min, 31,9 e 37,3 mmol/L/min, respectivamente; p <0,05). Uma gelatina de fruta feita com inulina e contendo 30% menos açúcar do que a variante de açúcar total também resultou em uma redução significativa da glicemia (iAUC120min 53,7 e 63,7 mmol/L/min, respectivamente; p <0,05). Em ambos os estudos, a insulina pós-prandial foi diminuída de maneira paralela (p <0,05). A redução da glicemia pós-prandial foi positivamente correlacionada com a proporção do açúcar substituído por frutanos do tipo inulina (p <0,001).

CONCLUSÕES

Em conclusão, os estudos confirmaram que a substituição de açúcares glicêmicos por inulina ou oligofrutose da chicória pode ser uma estratégia efetiva para reduzir a resposta pós-prandial da glicose no sangue aos alimentos.

PALAVRAS-CHAVE:

Glicemia · Insulina · Fibra dietética · Prebióticos · Substituição de açúcar.

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Fonte:https://media.jamanetwork.com/news-item/long-term-follow-finds-no-increased-overall-risk-death-menopausal-hormone-therapy/
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