Dois expressivos estudos, publicados na revista The Lancet em abril deste ano, oferecem a mais precisa estimativa panorâmica sobre a crescente tendência mundial das populações com sobrepeso, obesas e diabéticas.

 

No estudo que analisou o índice de massa corporal (IMC), mais de 700 pesquisadores de todo o mundo, incluindo da Organização Mundial de Saúde, analisaram dados de peso e altura de adultos de 200 países (desde 1975 a 2014). Em sua análise (das tendências globais do IMC) descobriram que mais de 640 milhões de pessoas no mundo apresentam severo excesso de peso.

 

Há mais de quatro décadas, o mundo transitou de uma realidade onde havia a prevalência de pessoas com insuficiente peso corporal para uma realidade onde a prevalência é o sobrepeso. Pelos cálculos da análise, cujo IMC acima de 25 traduz-se como ‘sobrepeso’, e acima de 30 como ‘obesidade’, os 640 milhões de pessoas acima relatados são de pessoas obesas… Em 1975, este número era de 105 milhões de pessoas.

 

Os pesquisadores descobriram que, ao longo dos últimos 40 anos, o IMC masculino em média subiu de 21.7 para 24.2, e o feminino, de 22.1 para 24.4. Eles preveem que, se a tendência global não mudar, 18% dos homens e mais de 21% das mulheres em todo o mundo serão obesos até 2025. Globalmente, a prevalência de obesidade mórbida foi de 0,64% nos homens e 1,6% nas mulheres.

 

Um alto IMC leva a uma série de mudanças metabólicas adversas e representa um importante fator de risco para diabetes, além de câncer, pressão alta, obesidade, níveis não saudáveis de colesterol, doenças cardiovasculares, morte prematura, osteoartrite, apneia do sono, entre outros.

 

O outro estudo publicado em The Lancet analisou especificamente a tendência mundial de diabetes. Para este, foram coletados dados através de medidas de biomarcadores de 751 estudos baseados em populações – 200 países e territórios e 21 regiões –, por sexo, desde o ano de 1980 até 2014.

 

De acordo com os resultados, desde 1980, juntamente como o crescimento e envelhecimento das populações, o número de adultos com diabetes quadruplicou de 108 milhões para 422 milhões (2014). Em todos os países, a prevalência da patologia aumentou ou, na melhor das hipóteses, permaneceu inalterada.  Alguns destaques do estudo:

 

  • O diabetes tem aumentado mais rapidamente nos países de baixa e média renda do que nos países de alta renda.
  • Entre 1980 e 2014, o diabetes se tornou mais comum entre os homens do que as mulheres. A sua prevalência global ajustada por idade duplicou entre os homens (4,3% para 9,0%) e aumentou em dois terços entre as mulheres (5,0% para 7,9%).
  • Metade dos adultos com diabetes no mundo vivem em 5 países: China, Índia, EUA, Brasil e Indonésia.
  • O noroeste da Europa tem os menores índices de diabetes entre as mulheres e os homens, com prevalência ajustada por idade inferior a 4% entre as mulheres e de 5 a 6% entre os homens na Suíça, Áustria, Dinamarca, Bélgica e Holanda.

 

O estudo não diferenciou o tipo de diabetes, se tipo 1 ou 2, mas a maioria (85 a 95%) dos casos de diabetes em adultos são do tipo 2.

 

O professor Majid Ezzati, autor sênior do Imperial College London, Reino Unido, observou: “A obesidade é o fator de risco mais importante para o diabetes tipo 2 e as nossas tentativas de controlar as crescentes taxas de obesidade até agora não se revelaram bem sucedidas. A prevenção por meio de mudança de estilo de vida, dieta ou cuidados médicos deve ser prioridade”.

 

Estudos:

NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC). Trends in adult body-mass index in 200 countries from 1975 to 2014: a pooled analysis of 1698 population-based measurement studies with 19·2 million participants. The Lancet, 2016.
Doi:10.1016/S0140-6736(16)30054-X
NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC). Worldwide trends in diabetes since 1980: a pooled analysis of 751 population-based studies with 4·4 million participants. The Lancet, 2016. Doi: DOI: 10.1016/S0140-6736(16)00618-8

 

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