A terapia com estatinas aumenta o risco do diabetes surgido recentemente em mulheres idosas em 33%, e quanto maior a dose, maior o risco, é o que mostra uma nova análise do estudo observacional longitudinal australiano sobre a saúde da mulher.

 

“Claramente, as estatinas têm efeitos benéficos, incluindo uma redução no risco de eventos cardiovasculares, no entanto, o efeito dose-resposta observado sugere que pode ser sábio evitar o uso de doses mais elevadas em mulheres mais velhas”, escreveu o autor principal em um e-mail para o Medscape Medical News, Mark Jones, MD, professor sênior da escola de saúde pública da Universidade de Queensland, em Brisbane.

 

O Dr. Jones acrescentou em uma declaração da Universidade de Queensland que as mulheres que tomam estatina “devem ser cuidadosamente e regularmente monitoradas quanto ao aumento da glicemia para garantir a detecção precoce e gestão do diabetes”. E, juntamente com seus colegas, sugere que as estatinas poderiam ser interrompidas por completo em algumas mulheres idosas.

 

Em média, as mulheres tomam estatinas durante 6,5 anos.

 

A nova análise, publicada em Drugs and Aging, incluiu 8.372 mulheres australianas com idade entre 76 e 82 anos na linha de base, as quais foram seguidas por 10 anos.

 

Os pesquisadores observam que a maioria dos participantes em ensaios com estatina eram do sexo masculino e que as mulheres, especialmente as idosas, foram sub-representadas.

 

“Nosso grupo tem experiência e expertise em saúde da mulher, inclusive está envolvido com o estudo longitudinal australiano sobre a saúde da mulher há 20 anos, e nos concentramos na coorte de mulheres mais velhas (neste estudo) porque pensamos que esta é uma população geralmente não considerada em ensaios clínicos”, explicou o Dr. Jones.

 

Estudos anteriores também mostraram uma associação entre o uso de estatinas e no diabetes novo, ele e seus colegas acrescentam, e embora muitas vezes os benefícios das estatinas são ditas para compensar o risco da doença, isso depende em primeiro lugar de sua indicação. Por exemplo, o uso de estatinas na prevenção primária de doenças cardiovasculares permanece controverso.

 

O resultado primário da análise, sobre o diabetes novo, foi baseado em uma nova prescrição de insulina, análogos de insulina, ou outros agentes hipoglicemiantes. A exposição às estatinas foi determinada com base nas prescrições entre 1º de julho de 2002 e 31 de agosto de 2013.

 

“Descobrimos que 49% das mulheres em seus quase oitenta anos e nos anos logo seguintes tomavam estatinas, sendo que 5% foram diagnosticadas com o diabetes”, observou o Dr. Jones.

 

Enquanto que elas pudessem ter tomado diferentes estatinas em diferentes doses ao longo dos 10 anos de intervalo do seguimento, a maior proporção das participantes receberam atorvastatina seguida de sinvastatina. E quando havia uma mudança na dose, tendia a ser em direção a uma dose mais elevada ao longo do tempo. O risco de diabetes foi por volta de 17% (com doses mais baixas) a 51% (com doses mais elevadas).

 

Com uma taxa de risco ajustada (HR) de 1,33% para a coorte global, este risco se traduz em 131 pacientes a cada 5 anos de tratamento com estatina.

 

“O que é mais preocupante foi que encontramos um ‘efeito de dose’, onde o risco de diabetes aumentou à medida que a dosagem de estatinas aumentou, e ao longo dos 10 anos do estudo, a maioria das mulheres progrediu para doses mais elevadas de estatinas”, afirmou o Dr. Jones.

 

Ele e seus colegas recomendam, portanto, que a avaliação contínua dos riscos seja “crítica” para garantir resultados ótimos de saúde e qualidade de vida em mulheres mais velhas.

 

Os resultados sugerem que “as mulheres idosas não devem ser expostas a doses altas de estatinas”, acrescentam.

 

Na verdade, em alguns casos, pode ser mais sensato parar o uso de estatinas por completo nesse grupo de pacientes. No estudo, cerca de um terço das usuárias não receberam prescrição para tal nos últimos 6 meses antes de morrerem ou do final do seguimento.

 

“As mulheres em nosso estudo estariam com 86 a 92 anos no fim do seguimento e, dependendo da razão para a prescrição inicial – prevenção preliminar ou secundária –, a consideração correta poderia talvez ser então a recomendação para a transição da não prescrição nas mulheres desta idade.”

 
Traduzido por Essentia Pharma

 

Fonte:http://www.medscape.com/viewarticle/877626?src=wnl_tp10n_170414_mscpedit_ous&uac=205527PG&impID=1328297

 

 

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