Um grande número de evidências sugere que uma maior ingestão de frutas e legumes é benéfica para a saúde, e esse maior consumo tem sido associado a uma menor incidência de doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer. Além de vitaminas, fibras e outros compostos relacionados, um grupo de pigmentos chamados carotenoides estão implicados nos benefícios de saúde decorrentes de uma boa dieta. Estes compostos solúveis em lipídios estão onipresentes em frutas e vegetais, principalmente os vegetais de cor alaranjada/amarela e verde escuro. A estrutura química dos carotenoides permite que atuem como eficientes varredores de formas deletérias, nomeadamente o oxigênio singlete e radical peroxil. Além de suas propriedades antioxidantes, tem-se sugerido que os carotenoides também podem reduzir a inflamação ao interagir com cascatas de sinalização celular inflamatórias.

 

Sólida evidência já estabeleceu que esses compostos, particularmente a luteína e zeaxantina, protegem a retina dos danos induzidos pela luz – devido à sua capacidade de filtrar a luz de onda curta – e atuar na estabilização de espécies reativas de oxigênio. Uma maior ingestão desses nutrientes, seja através de dieta ou suplementação, tem sido associada a um aumento do pigmento macular, e há evidências de que possam retardar a progressão da degeneração macular relacionada à idade.

 

Já no campo da saúde cerebral e função cognitiva, como outros antioxidantes, eles também vem mostrando aptidão, mas pequenos estudos e experimentos clínicos anteriores vinham mostrando inconsistências. Importante acrescentar que já foi demonstrada uma alta concentração dos carotenoides luteína e zeaxantina no cérebro humano.

 

Para examinar mais profundamente o papel da luteína e zeaxantina, e de maneira independente, para a função cognitiva em adultos mais velhos, um estudo de base populacional de grande porte, publicado em Journal of Gerontology, Series A, foi projetado levando em consideração medidas abrangentes e ajustes para fatores múltiplos de confusão.

 

Os pesquisadores analisaram dados de 4.076 irlandeses mais velhos (a partir de 50 anos). Os resultados mostram que concentrações mais altas de luteína e zeaxantina foram independentemente associadas com melhores pontuações compostas nos domínios da cognição global, memória e função executiva. Curiosamente, descobriram que a alta concentração plasmática de zeaxantina, e não luteína, foi associada a uma melhor velocidade de processamento.

 

“Embora seja prematuro extrair inferências desses resultados quanto à importância absoluta ou relativa dos carotenoides para a função cognitiva, há uma boa base biológica para a hipótese de que esses compostos podem ser neuroprotetores, devido às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias”, escreveram os pesquisadores.

 

Estudo: Feeney J, et al. Plasma Lutein and Zeaxanthin Are Associated With Better Cognitive Function Across Multiple Domains in a Large Population-Based Sample of Older Adults: Findings from The Irish Longitudinal Study on Aging. J Gerontol A Biol Sci Med sci, 2017. DOI: 10.1093/gerona/glw330

 

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