No Brasil, muitas vezes não podemos contar com a realização de levantamentos de dados e estatísticas em relação à áreas específicas da saúde pública, e, por esta razão, é preciso recorrer a estudos ou estatísticas de países estrangeiros e tomar como base hipotética seus resultados. Não é o ideal, mas, de qualquer maneira, ao menos pode ser de grande valia, servindo de alerta em muitas situações. Aqui, em especial, quanto a possíveis carências de nutrientes, como é o caso do ômega-3 na dieta materna – uma real preocupação.

 

Não é de hoje que estudos científicos e/ou dados de associações internacionais vêm alertando para a importância da ingestão do ácido graxo poli-insaturado ômega-3 para o público geral. Como nutriente denominado essencial, a única maneira de o organismo obtê-lo é através da dieta ou suplementação, desde que o corpo humano não o produz. Na saúde pré-natal, o ômega-3 é de extrema importância para o desenvolvimento visual e cognitivo, entre tantos outros benefícios de longo prazo para a saúde do bebê, além de outros benefícios para a saúde da mãe.

 

No Canadá, a American Dietetic Association (ADA) e Dietitians of Canada (DC) recomendam que as gestantes e lactantes (juntamente com todos os adultos) consumam diariamente 500mg de ômega-3, incluindo ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA). Nos Estados Unidos, a recomendação é de 300 mg/dia. Na Europa, a Comissão Europeia recomenda que as gestantes e lactantes consumam um mínimo de 200mg de DHA por dia. No entanto, mesmo sendo uma dose considerada pequena por muitos estudiosos, em um estudo com mais de 2.000 mulheres, a maioria não cumpriu estas recomendações. De fato, apenas 27% das gestantes e 25% das mulheres nos três meses pós-parto cumpriram a recomendação do consumo de ômega-3 (DHA) da Comissão Europeia.[1]

 

Recentemente publicada em Nutrients, uma nova análise executada por pesquisadoras da Universidade do Centro Médico de Nebraska, concluiu que o consumo médio de DHA + EPA de mulheres grávidas (788) e não grávidas (6.478) nos Estados Unidos é de somente 89 mg/dia.[2]

 

Os dados das 7.266 mulheres com idades entre 14 e 45 anos foram coletados da pesquisa National Health and Nutrition Examination Survey – NHANES (2003 a 2012).

 

“Nossos resultados demonstram que a ingestão de ácidos graxos ômega-3 é preocupante em mulheres grávidas e em idade fértil nos Estados Unidos, e que as populações socioeconômicas desfavorecidas são mais suscetíveis à esta deficiência”, escreveram as pesquisadoras.

 

Referência:

[1] “APrON study suggests pregnant and lactating women are not meeting recommended intake of omega-3, critical for infant development”, disponível em cdnsciencepub.com/news-and-events/press-releases/pr-apnm-2014-0313.aspx Acessado em 23/03/17

 

[2] Nordgren TM, et al. Omega-3 Fatty Acid Intake of Pregnant Women and Women of Childbearing Age in The United States: Potential for Deficiency? Nutrients, 2017. DOI: 10.3390/nu9030197

 

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