Quando se fala em declínio cognitivo, a doença de Alzheimer geralmente é a que ganha mais atenção nos artigos e conversas por ser a que mais atinge a população mais velha do ocidente. No entanto, a demência vascular (DV) vem em segundo lugar no quesito ocorrência.

 

Existem vários tipos de DV, mas geralmente elas têm como resultado grandes lesões causadas quando um coágulo bloqueia a passagem de sangue no cérebro e, portanto, o fornecimento de oxigênio. Este inadequado fluxo sanguíneo microvascular, muitas vezes crônico, resulta em alterações que diminuem gravemente a função neurológica e, portanto, a função cognitiva. No Brasil, um dado não atual, de 1998, nos mostrava que a DV na população acima de 65 anos era de 9,3%. No entanto, tem-se a hipótese de que esta condição é sub-diagnosticada.1

 

Alguns métodos comprovados estão disponíveis para aumentar o fluxo sanguíneo no cérebro, retardando a progressão deste tipo de demência. Um método de longa data conhecido no oriente e, atualmente, usado no ocidente como medicina complementar é a acupuntura. Seus mecanismos de efeitos protetores subjacentes estão começando a ser compreendidos através de um grande corpo de pesquisas pré-clínicas e clínicas, e cientistas chineses acabam de publicar uma revisão desses achados em Neurochemistry International.2

 

É provável que nenhum fator único possa explicar a proteção fornecida pela acupuntura. Mas a revisão fornece uma visão abrangente de descobertas estabelecidas e recentes em pesquisas em animais com o objetivo de elucidar os mecanismos complexos da acupuntura sobre a demência vascular.

Alguns destaques:
• Os acupontos ou pontos de acupuntura mais frequentemente escolhidos para tratar a demência vascular são o Baihui (GV20) e Zusanli (ST36)
• A aplicação de agulhas em pontos específicos estimula a proteção dos neurônios cerebrais contra o estresse oxidativo, apoptose e neuroinflamação, regulando o metabolismo da glicose e neurotransmissores
• O método melhora a plasticidade sináptica e a função dos vasos sanguíneos

 

Todos estes fatores têm importância vital na função cognitiva como também na manutenção de adequado fluxo sanguíneo para o cérebro.

 

 

Referência:

1- Junior EH, et al. Estudo epidemiologico populacional de demencia na cidade de Catanduva, estado de Sao Paulo, Brasil / Population epidemiologic study of dementia in Catanduva city: state of Sao Paulo, Brazil. Rev. psiquiatr. clín., 1998

2- Ye Y, et al. Mechanisms of acupuncture on vascular dementia – A review of animal studies. Neurochemistry International, 2016. DOI: 10.1016/j.neuint.2016.12.001

 

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