Uma teoria emergente sugere que os ataques de enxaqueca podem ser a resposta de autoproteção do cérebro ao estresse oxidativo, que é um processo celular ligado ao envelhecimento e ao aumento da suscetibilidade à doença.

As enxaquecas são ataques severos de dor de cabeça que podem durar entre algumas horas e alguns dias, prejudicando significativamente a produtividade e a qualidade de vida.

Nos Estados Unidos, a prevalência de enxaqueca em 1 ano está entre 11,7% e 13,2%, e pesquisas recentes sugerem que as pessoas acometidas pelas suas crises estão expostas ao risco do excesso de medicamentos que usam para ajudá-las a lidar com o mau estar.

 

Atualmente não há cura para a enxaqueca, e nenhum consenso quanto às suas causas. Os tratamentos mais utilizados visam seus sintomas e incluem analgésicos e fármacos triptanos.

Agora, o Dr. Jonathan M. Borkum – um pesquisador da Universidade do Maine em Orono – está apresentando uma nova teoria. Os ataques de enxaqueca, ele sugere, podem ser parte do mecanismo de autodefesa do cérebro contra o estresse oxidativo.

O estresse oxidativo ocorre quando o sistema já não é capaz de contrabalançar efetivamente o impacto de moléculas reativas contendo oxigênio, que são conhecidas como “espécies reativas de oxigênio”, levando a sintomas de envelhecimento biológico e aumento da suscetibilidade ao declínio funcional.

O Dr. Borkum detalha sua nova abordagem para a enxaqueca em um artigo recentemente publicado na revista Headache.

Efeito protetor dos componentes da enxaqueca
Estudos existentes já mostraram que as enxaquecas exibem níveis mais elevados de estresse oxidativo, e os seus gatilhos comuns – como o ruído, a privação do sono e a poluição do ar – parecem piorar esse desequilíbrio.

“O estresse oxidativo é um sinal útil de danos iminentes porque uma série de condições desfavoráveis no cérebro podem dar origem a ele”, explica o Dr. Borkum. Por isso ele sugere que os tratamentos que se concentram no estresse oxidativo podem ser mais eficazes na prevenção de ataques de enxaqueca.

O Dr. Borkum considera os diferentes componentes da enxaqueca – a liberação de serotonina, por exemplo, e a depressão cortical, caracterizada pela falta de atividade elétrica mensurável no córtex –, argumentando que cada um desses elementos constitui realmente uma resposta protetora.

O pesquisador cita estudos de isquemia cerebral in vitro e in vivo, que é o fornecimento de sangue insuficiente para o cérebro, sugerindo que os componentes típicos de um ataque de enxaqueca têm uma função neuroprotetora.

Segundo ele, essas respostas estimulam as enzimas antioxidantes, diminuem a produção de oxidantes, ajudam a prevenir a morte de células neurais e estimulam o crescimento do tecido nervoso liberando fatores de crescimento no cérebro.

“Existem laços de feedback entre os componentes da enxaqueca que os unem em um sistema integrado”, diz o Dr. Borkum. “Assim, parece provável que os ataques de enxaqueca não sejam simplesmente desencadeados pelo estresse oxidativo, mas também ativamente protegem e reparam o cérebro desse estresse.”

Ele acrescenta que, apesar do fato de que estamos acostumados a pensar sobre a enxaqueca como uma doença, seus sintomas – incluindo a dor, a hipersensibilidade a estímulos auditivos e visuais e as náuseas – são simplesmente marcadores da ativação do corpo de seu mecanismo de defesa contra uma ameaça: neste caso, o estresse oxidativo.

“Então, a teoria aqui nos diz que, para realmente resolver as enxaquecas, devemos antes entender a vulnerabilidade subjacente do cérebro, ou seja, o que dá origem ao estresse oxidativo.”

Ele também expressa a esperança de que, se a sua teoria for comprovada, novos tratamentos mais efetivos poderão ser encontrados, os quais visarão o estresse oxidativo ao invés de apenas os sintomas dos ataques de dor de cabeça.

Além disso, aprender mais sobre este mecanismo de proteção pode apontar para estratégias preventivas contra um espectro de outras condições neurodegenerativas.

“A existência de um sistema integrado para proteger e reparar o cérebro pode se tornar bastante útil – por exemplo, podemos um dia ser capazes de aprender com este mecanismo como prevenir doenças neurodegenerativas.” – Dr. Jonathan M. Borkum