Uma nova pesquisa com varredura de medicamentos em células semelhantes as do fígado mostra que o glicosídeo cardíaco encontrado nas folhas da planta Digitalis poderia reduzir o colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) de forma diferente das estatinas, potencialmente proporcionando um novo tratamento para os pacientes.

 

Essas descobertas foram relatadas pelo pesquisador da Universidade Médica da Carolina do Sul, Stephen A. Duncan, do Departamento de Medicina Regenerativa da MUSC, e colegas na edição de 6 de abril da Cell Stem Cell.

 

Duncan disse que os glicosídeos foram identificados através de uma varredura de células estaminais para os compostos que poderiam ser usados ​​off-label* para o tratamento de colesterol elevado. “Um lado positivo em encontrar novos usos para drogas já presentes no mercado é que elas podem ser utilizadas com relativa rapidez em pacientes porque a maioria dos testes de segurança necessários já foram concluídos.”

 

Nem todo mundo com colesterol LDL alto responde às estatinas. As estatinas aumentam os níveis de um receptor de superfície celular que remove o colesterol LDL da corrente sanguínea. No entanto, elas não funcionam em pacientes com hipercolesterolemia familiar (HF), pois estes apresentam uma mutação rara no receptor. A HF é uma doença hereditária que leva à doença cardiovascular agressiva e prematura, sendo que os pacientes têm colesterol muito alto e podem morrer por volta dos seus quarenta anos. Os medicamentos existentes para HF podem causar doença hepática gordurosa, e o melhor tratamento é o transplante de fígado.

 

Duncan e seu estudante de pós-graduação Max Cayo desenvolveram uma varredura das drogas para identificar uma alternativa às estatinas. A apolipoproteína B (apoB) é uma molécula que as células hepáticas usam para fazer LDL. Os fármacos que diminuem a apoB podem potencialmente diminuir o colesterol independentemente do receptor de LDL tanto em pacientes com HF como também em pacientes com outras formas de colesterol elevado.

 

A hipercolesterolemia familiar foi um modelo perfeito para testar alternativas às estatinas. No entanto, a raridade da doença significa que essas células do fígado são escassas. Portanto, o grupo de Duncan produziu células-tronco pluripotentes induzidas a partir de fibroblastos de pele obtidos de um único doente com HF. Células-tronco continuamente duplicam o seu número enquanto na cultura, o que então proporcionou uma fonte renovável de células semelhantes ao fígado que retinham a mutação.

 

O grupo testou essas células utilizando a biblioteca SPECTRUM – uma coleção de 2.300 fármacos, muitos dos quais com ensaios clínicos realizados. Surpreendentemente, todos os nove glicosídeos cardíacos da coleção, alguns amplamente prescritos para insuficiência cardíaca, reduziram a apoB nas células semelhantes ao fígado. Em testes adicionais, também baixaram apoB em hepatócitos humanos e em camundongos manipulados para desenvolver fígados humanos normais sem a mutação da HF.

 

Em seguida, a equipe escrutinou mais de cinco mil registros médicos de pacientes prescritos com glicosídeos cardíacos para insuficiência cardíaca que também tinham registros de colesterol LDL. Foram observadas quedas semelhantes nos níveis de LDL nestes doentes como num grupo correspondente de pacientes que receberam estatinas prescritas.

 

Este estudo fornece a primeira evidência de que os glicosídeos cardíacos poderiam potencialmente reduzir o colesterol LDL independentemente do seu receptor, onde as estatinas atuam, reduzindo a apoB.

 

Os glicosídeos cardíacos são sempre prescritos com cuidado, pois, em altas doses, são conhecidos por serem tóxicos. No entanto, eles poderiam oferecer opções econômicas de tratamentos cruciais para pacientes com HF. Adicionalmente, um glicosídeo cardíaco numa dose baixa poderia concebivelmente proporcionar um benefício adicional aos doentes que já tomam estatina. Duncan está explorando planos para um ensaio clínico que determine a dose correta em pacientes com hipercolesterolemia.

 

Usando-se células-tronco do paciente para pesquisar drogas que já estão no mercado é uma ótima maneira de investigar tratamentos para doenças do fígado.

 

“Há tão poucos fígados disponíveis para transplante”, disse Duncan. “Ter o modelo de células-tronco de onde fazemos células hepáticas em prato de cultura, abre a possibilidade de investigar uma doença, mas também é uma maneira de descobrir drogas que poderiam corrigir uma doença.”

 

*N.daT.: O termo em inglês off label descreve um medicamento utilizado de forma diferente daquela descrita na bula.

 

Traduzido por Essentia Pharma

 

Fonte:http://academicdepartments.musc.edu/newscenter/2017/Stem-cell-drug-screen-reveals-new-cholesterol-treatment/

 

 

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