“Sólida evidência” apoia a associação entre a obesidade e 11 tipos de câncer, os quais em sua maioria são constituídos por tumores de órgãos digestivos e neoplasias malignas relacionadas a hormônios em mulheres, de acordo com uma nova análise publicada no BMJ.

 

“Outras associações podem ser genuínas também, mas há incerteza sobre elas”, disse a autora principal, Maria Kyrgiou, PhD, MSc, do Departamento de Cirurgia e Câncer, do Imperial College London, Reino Unido, em um e-mail para o Medscape Medical News. O novo estudo é conhecido como uma “revisão geral” ou uma “meta-revisão”, desde que analisou meta-análises e revisões sistemáticas anteriores.

 

A conclusão da revisão geral – que o excesso de gordura corporal aumenta a maioria dos cânceres do sistema digestivo, bem como o câncer de mama endometrial e no período da pós-menopausa – concorda com o relatório do ano passado da Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC). No entanto, o IARC encontrou associações com cânceres adicionais (por exemplo, fígado, tireoide e ovário), escreveram os editorialistas, Yikyung Park, ScD, e Graham Colditz, MD, DrPH, da Divisão De Ciências da Saúde Pública, da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, St. Louis, Missouri. Mas os dados são “claros”, dizem os dois. “A conclusão inevitável desses dados é que a prevenção do excesso de peso adulto pode reduzir o risco de câncer.”

 

O excesso de gordura corporal é potencialmente o segundo mais importante fator de risco de câncer modificável após o tabagismo, afirmam eles.

 

A nova revisão analisou 95 meta-análises que relataram uma associação entre o excesso de gordura corporal (medida em uma escala contínua) e o risco de desenvolver ou morrer de câncer. A obesidade foi definida como um índice de massa corporal (IMC) > 30 kg/m2. A  Dra. Kyrgiou explicou que uma “medida contínua é quando o efeito da exposição sobre o resultado é medido por unidade de mudança, ou seja, o risco de câncer de endométrio aumenta por 5 kg/m2 do IMC”. Haviam sete índices de excesso de gordura corporal/adiposidade, incluindo IMC, circunferência da cintura, peso e relação cintura-quadril.

 

A equipe internacional de pesquisadores julgou que apenas 13% (12 dos 95) dos estudos identificados na revisão geral foram baseados em fortes evidências estatísticas (e evitaram vieses que podem ter exagerado o efeito da obesidade sobre o câncer). Em outras palavras, a maioria dos estudos continha falhas metodológicas. No final, após analisar esses 12 estudos, a equipe determinou que havia uma associação entre a gordura corporal e 11 localizações para o câncer: adenocarcinoma esofágico, mieloma múltiplo, câncer de cárdia gástrica, cânceres do cólon e reto em homens, do sistema das vias biliares, do pâncreas, da mama (pós-menopausa), do endométrio (pré-menopausa), do ovário e do rim.

 

O grau de risco variava. Por exemplo, o aumento do risco de desenvolver câncer para cada aumento de 5 kg/m2 de IMC variou de 9% [risco relativo, 1,09; intervalo de confiança (IC) de 95%, 1,06-1,13] para o câncer de reto nos homens, a 56% (risco relativo, 1,56; IC 95%, 1,34-1,81) para o câncer do sistema biliar.

 

Os autores determinaram que os outros 83 estudos apresentaram evidências altamente sugestivas (18%), sugestivas (25%) e fracas (20%). Também, 25% não tinham nenhuma evidência de associação.

 

Estudos prospectivos são necessários para tirar “conclusões mais firmes” sobre quais os cânceres são causados ​​pelo excesso de gordura corporal, finalizam os autores do estudo.

 

Quem exatamente está em alto risco ainda é desconhecido. Se isso pudesse ser discernido, os indivíduos poderiam ser selecionados para “estratégias personalizadas de prevenção primária e secundária.”

 

Traduzido por Essentia Pharma

Fonte:http://www.medscape.com/viewarticle/876410?src=wnl_tp10n_170414_mscpedit_ous&uac=205527PG&impID=1328297

 

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