Nos últimos anos, a conclusão de numerosos estudos tem sido que bebedores de café podem viver mais. Agora, os pesquisadores acreditam ter descoberto um dos mecanismos subjacentes a esta associação.

 

Em um novo estudo, os pesquisadores revelam a descoberta de um processo inflamatório que pode conduzir ao desenvolvimento futuro de doenças cardiovasculares e que o consumo de cafeína poderia contrariar este processo.

 

O autor principal David Furman, do Instituto de Imunidade, Transplante e Infecção da Universidade de Stanford, na Califórnia, e colegas recentemente relataram suas descobertas na revista Nature Medicine.

 

O café, chá, refrigerante, bebidas energéticas e chocolate são todos alimentos e bebidas consumidos normalmente que contêm cafeína – um composto mais conhecido por suas habilidades estimulantes do cérebro. No entanto, há muito mais para a cafeína do que simplesmente fornecer um impulso de energia. Vários estudos sugeriram que a ingestão regular de café pode aumentar a longevidade. Um estudo publicado em 2015, por exemplo, descobriu que os bebedores de café que consumiam de uma a cinco xícaras por dia tinham um menor risco de mortalidade por todas as causas do que as pessoas que não o bebiam.

 

Para o seu estudo, os pesquisadores começaram a identificar os processos inflamatórios que podem contribuir para a má saúde do coração em idade avançada.

 

A equipe analisou dados da coorte de Stanford-Ellison, incluindo um grupo de adultos saudáveis ​​com idade entre 20 e 30 anos e um grupo de adultos saudáveis ​​com 60 anos ou mais.

 

Ao avaliar as amostras de sangue de cada participante, os pesquisadores identificaram dois clusters de genes* que foram mais altamente ativados no grupo mais velho. Eles descobriram que esses clusters ou aglomerados estavam ligados à produção de IL-1-beta, um tipo de proteína inflamatória circulante.

 

Em seguida, a equipe avaliou 23 indivíduos mais velhos, dividindo-os em dois grupos: alta ou baixa atividade em um ou ambos os clusters de genes, sendo levado em conta o histórico médico de cada um.

 

Entre os 12 indivíduos que apresentaram alta atividade de aglomeração de genes, nove tinham pressão arterial elevada, em comparação com apenas um dos 11 participantes que tinham baixa atividade dos mesmos.

 

Pesquisas posteriores revelaram que os participantes mais velhos que apresentavam atividade de cluster de genes elevada também eram significativamente mais propensos a ter rigidez arterial – um fator de risco para ataque cardíaco e acidente vascular cerebral – em comparação com os outros.

 

Além disso, os adultos no grupo de cluster de genes com atividade elevada tinham concentrações elevadas de IL-1-beta no sangue, bem como aumento da atividade de radicais livres – moléculas não carregadas que podem causar danos às células – e uma série de metabólitos de ácidos nucleicos produzidos pela atividade de radicais livres.

 

Confirmando o papel dos dois clusters de genes na inflamação e na saúde cardíaca, os pesquisadores descobriram como aumentar a atividade em um dos clusters incubando uma célula imune com dois dos metabólitos de ácidos nucleicos produzidos pela atividade de radicais livres. Isto levou a um aumento na produção de IL-1-beta.

 

Quando a equipe injetou esses metabólitos em camundongos, os roedores tiveram hipertensão arterial e inflamação sistêmica. Além disso, a pressão renal dos animais aumentou como resultado de células imunes infiltradas, as quais bloqueavam os rins.

 

Contudo, uma análise posterior revelou que a cafeína pode contrariar os efeitos negativos dos metabolitos de ácidos nucleicos.

 

Ao avaliar a ingestão de cafeína dos participantes, os pesquisadores descobriram que o sangue de adultos mais velhos que apresentavam cluster de gene de baixa atividade era mais propenso a conter metabólitos da cafeína, como teofilina e teobromina.

 

Quando eles incubaram células imunes com os metabólitos da cafeína e os do ácido nucleico, descobriram que os metabólitos da cafeína impediram os efeitos inflamatórios dos metabólitos do ácido nucleico.

 

O coautor do estudo Mark Davis explica que esses achados demonstram que “um processo inflamatório subjacente, que está associado ao envelhecimento, não só está causando doenças cardiovasculares, mas é, por sua vez, impulsionado por eventos moleculares que podemos ser capazes de alvejar e combater”.

 

“Ficamos surpresos ao ver que algo que muitos bebem – e realmente gostam de beber – pode ter um benefício direto. Mostramos que há uma correlação entre o consumo de cafeína e a longevidade. E mostramos rigorosamente, em testes de laboratório, um mecanismo muito plausível para explicar por que isso pode ocorrer.” – Mark Davis, Ph.D.

 

*N.daT.: Um cluster ou aglomerado de genes é um grupo de dois ou mais genes encontrados dentro do DNA de um organismo que codificam para polipeptídios ou proteínas semelhantes, que compartilham coletivamente uma função generalizada e estão frequentemente localizados dentro de alguns milhares de pares de bases uns dos outros.

Traduzido por Essentia Pharma

 

Fonte:http://www.medicalnewstoday.com/articles/315300.php

 

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