Se você já ouviu falar que comer mais de dois ou três ovos por semana é ruim para sua saúde, você não está sozinho. Alguns estudos sugeriram que, devido ao alto teor de colesterol das gemas, os ovos podem ser um alimento prejudicial – particularmente para pessoas já em risco de eventos cardiovasculares.
 
A ideia de que os ovos podem representar um perigo para a saúde também foi amplamente difundida por muitos sites e revistas populares. No entanto, apesar de serem ricos em colesterol, os ovos também são uma grande fonte de nutrientes saudáveis, como proteínas, vitaminas, fosfolipídios e carotenoides. Pesquisas recentes têm reunido evidências cada vez mais sólidas de que os ovos realmente não influenciam o risco de doença cardiovascular (DCV).
 
Um estudo publicado em 2013 no jornal científico The BMJ, por exemplo, concluiu que comer até um ovo por dia não está ligado a um risco elevado de doença cardíaca ou acidente vascular cerebral. Outro estudo, recém-publicado no American Journal of Clinical Nutrition, sugeriu que uma “dieta rica em ovos” (até 12 por semana) não aumentaria o risco cardiovascular.
 
Mas uma pesquisa recente da Escola de Saúde Pública do Centro de Ciências da Saúde da Universidade de Pequim, vai ainda mais longe. Os investigadores principais, Liming Li e Dr. Canqing Yu, descobriram agora que uma dieta em que os ovos são consumidos regularmente pode realmente proteger a saúde cardiovascular. As descobertas da equipe foram publicadas ontem na revista Heart.
 
‘Consumo moderado de ovos’ pode diminuir o risco
 
Cerca de 84 milhões de pessoas nos Estados Unidos têm alguma forma de doença cardíaca vascular, e cerca de 2.200 pessoas morrem diariamente por essa causa. Na China, as taxas são ainda maiores. Só em 2014, por exemplo, estima-se que cerca de 837.300 residentes urbanos e 1.023.400 residentes rurais morreram de doenças cerebrovasculares no país segundo dados recentes. As condições mais comuns são o acidente vascular cerebral – tanto hemorrágico como isquêmico – e a doença cardíaca isquêmica, nessa ordem.
 
Tais números motivaram os pesquisadores envolvidos no novo estudo a investigar qual o papel – se é que há algum – que o consumo de ovos desempenha na modificação do risco das doenças cardíacas e vasculares. Para isso, eles analisaram dados obtidos através do China Kadoorie Biobank, que é um estudo prospectivo em andamento que investiga as causas genéticas e ambientais de doenças crônicas na população chinesa.
 
O professor Li e a equipe analisaram informações relacionadas à saúde de 416.213 participantes adultos recrutados de 2004 a 2008. Esses indivíduos se encontravam livres de câncer, doenças cardiovasculares e diabetes no início do estudo. No recrutamento, os participantes relataram com que frequência comiam ovos – 13,1% deles confirmaram um consumo diário (cerca de 0,76 ovos por dia) e 9,1% disseram que comiam raramente (0,29 ovos por dia) ou não o consumiam de todo.
 
Houve um período médio de acompanhamento de 8 anos, durante o qual foram registrados novos diagnósticos e óbitos de saúde. Durante esse período, 83.977 participantes foram diagnosticados com DCV e 9.985 pessoas morreram devido a causas relacionadas à DCV. Além disso, foram registrados 5.103 eventos coronarianos maiores.
 
Benefícios dos ovos na prevenção do AVC
 
A análise dos pesquisadores revelou que indivíduos que normalmente ingeriam cerca de um ovo por dia tinham um risco 26% menor de sofrer derrame (AVC) hemorrágico, um risco 28% menor de morte devido a esse tipo de evento, e um risco 18% menor de mortalidade relacionada à DCV.
 
O consumo quase diário de ovos – ou cerca de 5,32 ovos por semana – também foi associado a um risco 12% menor de doença cardíaca isquêmica, comparado com pessoas que nunca ou raramente comiam esse alimento (totalizando aproximadamente 2,03 ovos por semana).
 
“O presente estudo descobriu que há uma associação entre o nível moderado de consumo de ovos (até 1 ovo/dia) e uma taxa mais baixa de eventos cardíacos”, explicaram os autores do estudo. O professor Li e a equipe advertem que essa foi uma pesquisa observacional, então seria insensato concluir que há necessariamente um efeito causal entre o consumo de ovos e um menor risco de DCV.
 
No entanto, o grande tamanho da amostra populacional com a qual os pesquisadores trabalharam, bem como o fato de que fizeram os ajustes para os fatores de confusão – fatores de risco conhecidos e potenciais de DCV – implicam que essa é uma forte possibilidade. “Nossas descobertas”, concluem os pesquisadores, “contribuem com evidências científicas para as diretrizes alimentares em relação ao consumo de ovos para o adulto chinês saudável”.
 
Traduzido e adaptado por Essentia Pharma:
https://www.medicalnewstoday.com/articles/321878.php