Um novo estudo mostra que a redução dos níveis de ferro no plasma sanguíneo pode proteger o cérebro de alterações relacionadas a doença de Alzheimer.

Um novo estudo mostra que a redução dos níveis de ferro no plasma sanguíneo pode proteger o cérebro de alterações relacionadas a doença de Alzheimer.

De acordo com o IBGE e baseado em dados de pesquisas de outros países, pode se estimar que no Brasil 1,2 milhões de pacientes sofram com a doença de Alzheimer (DA), com cerca de 100 mil novos casos por ano. Não existe atualmente nenhum tratamento que garanta a cura ou altere o curso da doença. No entanto, uma quantidade crescente de evidências sugere que a forma como o corpo lida com o ferro e outros minerais como cobre e zinco começa a se alterar anos antes do surgimento dos primeiros sintomas da DA.

No presente estudo um grupo de pesquisadores, liderados pelo Dr. Othman Ghribi, professor da Universidade de Dakota do Norte, alimentou coelhos com uma dieta rica em colesterol, o que lhes causou acúmulo de uma pequena proteína chamada beta-amiloide, e tratou-os com um quelante de ferro (um composto que estimula a captação do ferro por outras moléculas). A acumulação de beta-amiloide e a hiperfosforilação de outra proteína denominada tau formam placas que se agregam aos neurônios. Estas placas são tóxicas para os neurônios e importante para o desenvolvimento de Alzheimer.

Sabe-se que a proteína beta-amiloide tem sítios de ligação com íons metais e que a interação entre beta-amiloide e ferro é um dos fatores responsáveis por agregação e depósito desta proteína. Existem evidências de que ao ligar-se com o ferro, a beta-amiloide está agindo como quelante para diminuir o dano oxidativo das altas concentrações de ferro livre; porém, o acúmulo deste complexo parece contribuir também para aumentar o estresse oxidativo, apresentando assim, tanto um efeito neuroprotetor quanto um efeito neurotóxico.

Como descrito, os coelhos desenvolveram alterações na proteína tau, abundante nos neurônios do sistema nervoso central. Quando esta proteína é fosforilada, a capacidade dos neurônios para conduzir sinais elétricos é interrompida. Após o tratamento com um quelante de ferro, seus níveis no plasma sanguíneo dos coelhos foram reduzidos e os de beta-amilóide e tau fosforilada no cérebro voltaram aos níveis normais.

Outro processo degenerativo na DA envolve a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) que podem danificar os neurônios no cérebro. O quelante também pode suprimir esses danos causados pelo ferro livre na corrente sanguínea, porém neste estudo não houve diferença em EROs no grupo tratado. Ao que tudo indica o ferro no cérebro na DA está localizado em locais errados, pois se acumula a níveis muito elevados nos núcleos das placas de beta-amilóide e é muito reativo nesta configuração.

De acordo com o autor do estudo, os dados mostraram que o tratamento com o quelante de ferro melhora vários eventos patológicos induzidos por uma dieta de colesterol enriquecido, pois reduziu os níveis de fosforilação da tau e de beta-amiloide, apesar de não reduzir a produção de EROs. Desta forma, é possível que uma dose maior de quelante ou terapia de combinação de quelante juntamente com um antioxidante para impedir a geração de EROs seriam mais protetores contra os efeitos deletérios da dieta enriquecida com colesterol. Antioxidantes visando essas interações podem ser considerados promessas contra os agentes causadores da doença.

Fonte:

Prasanthi, J.R., Schrag, M., Dasari, B., Marwarha, G., Dickson, A., Kirsch, W.M., Ghribi, O. Deferiprone reduces amyloid-β and tau phosphorylation levels but not reactive oxygen species generation in hippocampus of rabbits fed a cholesterol-enriched diet. J Alzheimers Dis. 2012 Jan 1;30(1):167-82.

 

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