Nootrópicos: o que são e como atuam as drogas da inteligência

Nootrópicos vêm sendo cada vez mais utilizadas por quem deseja melhorar a atenção, a memória e a produtividade.
Os nootrópicos, conhecidos como “smart drugs” ou drogas da inteligência, são substâncias com ação cerebral, capazes de aumentar o foco, a atenção, a memória e o raciocínio. Eles melhoram a performance intelectual tanto em pessoas com diagnóstico de TDAH e depressão como também em indivíduos saudáveis que desejam aumentar a performance cognitiva, a memória e a produtividade nos estudos ou trabalho. O termo nootrópico foi usado pela primeira vez em 1972 pelo psicólogo e químico romeno Corneliu Giurgea. Para se referir a uma droga que aumentava capacidades intelectuais sem causar efeitos colaterais, ele recorreu ao grego nou, que significa “mente”, e tropo, que pode ser traduzido como “direção”. Essa droga, sintetizada por ele, era o Piracetam, hoje usado como um suplemento e também no tratamento de condições cognitivas debilitantes. Atualmente, estas substâncias são febre entre investidores do mercado financeiro e empresários e programadores do Vale do Silício, na Califórnia. Também nos Estados Unidos, marcas como TruBrain, Qualia e HVMN oferecem bebidas, alimentos e suplementos com substâncias neuroativadoras. O tema chegou também à cultura. O filme Limitless, protagonizado por Bradley Cooper em 2011, mostra a descoberta dos efeitos dos nootrópicos por um escritor falido. Inspirado neste longa, a CBS lançou a série homônima em 2015. Uma busca por “Nootropics” no site da Amazon revela mais de 170 livros sobre o tema.

Como atuam os nootrópicos

Atualmente há centenas dessas substâncias catalogadas que funcionam de várias maneiras. Mas, basicamente, a ação dos nootrópicos tem como alvo principal os neurotransmissores. Estes atuam como mensageiros químicos, transportando, estimulando e equilibrando os sinais entre neurônios, células nervosas e outras células do corpo. Após sua liberação, o neurotransmissor atravessa a lacuna entre as células e se liga a outro neurônio, estimulando ou inibindo o neurônio receptor, de acordo com a sua característica. No caso dos nootrópicos, o foco maior de atuação está em transmissores ligados à concentração, cognição e memória, como a acetilcolina, a dopamina e a noradrenalina. 
  • A acetilcolina está envolvida no processo de formação de novas memórias e concentração, assim como no aumento do metabolismo cerebral.
  • A dopamina é mais conhecida por sua participação no ciclo de recompensa, estimulando nosso cérebro a completar tarefas. Além disso, a dopamina atua no controle de movimentos, aprendizado, cognição e memória.
  • A noradrenalina regula atividades como o sono e as emoções, causando sensação de bem-estar. Também relaciona-se com processos cognitivos de aprendizagem, criatividade e memória.

Tipos de nootrópicos

Algumas smart drugs, como a Creatina e o DHA, podem ser encontradas no comércio, sendo vendidas como suplementos alimentares. Outras, como a Homotaurina e o Lion’s mane, devem ser prescritas por médicos e podem ser manipuladas. Conheça algumas das principais opções de nootrópicos nestas duas categorias.

Nootrópicos disponíveis para manipulação

Fenilpiracetam

É uma forma mais biodisponível do Piracetam, podendo ser até 60 vezes mais potente. Age na otimização da cognição, atenção, memória, raciocínio, linguagem e compreensão e também na melhora da capacidade física. Estudos demonstram benefícios em casos de depressão, síndrome da fadiga crônica e gestão do estresse.

Ginkgo Biloba

Ginkgo biloba promove aumento da produção de fatores de crescimento neural e glial, aumentando a ação de neurotransmissores ligados à memória, à sensação de conquista e à concentração: acetilcolina, dopamina e GABA. Ele melhora o metabolismo de enzimas antioxidantes e de radicais livres e bloqueia o declínio cognitivo.

Noopept®

Tem ação semelhante ao Piracetam, mas com ação superior e imediata na cognição. Ele otimiza a comunicação entre os neurônios e melhora o fluxo sanguíneo cerebral, demonstrando efeito na cognição, age como ansiolítico e neuroprotetor. Sua ação neuroprotetora se dá pelo aumento da acetilcolina, melhorando a memória em longo prazo.

Cognizin®

Cognizin® é uma forma patenteada de citicolina que estimula a produção de substâncias essenciais à formação dos neurônios. Além disso, é precursor da acetilcolina, neurotransmissor importante para concentração e memória, e aumenta a produção de serotonina e dopamina, que influenciam o aprendizado e o humor.

Lion’s Mane

Lion’s mane é um fungo comestível (Hericium erinaceus), com grande variedade de substâncias anti-inflamatórias e neuroprotetoras. Entre elas estão: ß-glucana, isoindolinonas, hericenonas e erinacina. Promove o aumento de neurotransmissores no cérebro, tendo benefício na depressão, ansiedade e autismo.

Homotaurina

A homotaurina é um composto com estrutura molecular semelhante aos aminoácidos GABA e taurina, que favorecem o relaxamento e a concentração. Seu principal efeito é o ansiolítico, porém a sua atividade de maior destaque é a sua ação neuroprotetora, auxiliando nos processos de cognição e memória.  

Phenibut

Phenibut aumenta a concentração de GABA. É utilizado como tranquilizante e como agente nootrópico. Reduz o estresse, a insônia, a ansiedade e melhora a memória e a função intelectual.

Vimpocetina

A Vimpocetina é considerada um neuroprotetor natural e um poderoso ativador da memória. Estudos comprovam sua ação na memória de curto e longo prazo e na capacidade de coordenação motora.

Idebenona

A idebenona é um potente antioxidante celular, uma forma mais biodisponível da Coenzima Q10. Aumenta o metabolismo cerebral, os níveis de noradrenalina, serotonina, fator de crescimento neural (NGF) e acetilcolina. Consequentemente, impulsiona a capacidade de aprendizado.

Alfaglicerilfosforilcolina (alfaGPC)

Alfaglicerilfosforilcolina (alfaGPC) é um fosfolipídio derivado da lecitina de soja e precursor do neurotransmissor acetilcolina. Também atua potencializando a ação do hormônio do crescimento (GH). Seu uso tem levado à melhora da memória, atenção e desempenho cognitivo em adultos saudáveis.

Teanina

A teanina afeta os níveis de neurotransmissores como a GABA. Em combinação com a cafeína, tem um efeito sinérgico e pode melhorar o desempenho cognitivo, em particular promovendo foco, estado de alerta e endurance cognitivo.

Nootrópicos que dispensam receita médica

Creatina

A creatina é uma velha favorita entre os praticantes de academia, que a utilizam para melhorar seus desempenhos esportivos. Mas, ao longo da última década, novas funcionalidades vêm sendo descobertas. Estudos revelaram que o suplemento teve um efeito positivo sobre a memória de trabalho e inteligência, em particular no que diz respeito a tarefas que exigem velocidade de processamento.

DHA

O DHA é um dos ácidos graxos componentes do Ômega-3, o óleo extraído de peixes que vivem em águas profundas (saiba mais sobre DHA e EPA, importantes componentes do ômega-3). Pesquisas indicam que ele tem potencial para melhorar a memória e proteger contra certos transtornos psiquiátricos. Além disso, uma revisão de estudos científicos descobriu que suplementos de DHA melhoram significativamente o desenvolvimento cognitivo em crianças.

Como tomar nootrópicos

Para chegar à melhor fórmula de nootrópico para o seu caso, escolha um médico de sua confiança e siga essas dicas:
  • Defina seus objetivos: pense no que você deseja alcançar, em quais aspectos da cognição você deseja se concentrar e em como vai avaliar o sucesso.
  • Faça o dever de casa: se você está tentando encontrar os melhores nootrópicos, deve cuidar do básico. Beba água suficiente, faça exercícios regularmente, leia, passe algum tempo ao ar livre, socialize e reduza o consumo de álcool. Se você não estiver se esforçando para fazer essas coisas, mesmo os melhores nootrópicos produzirão resultados abaixo do padrão.
  • Comece com doses baixas: se você é iniciante nootrópico, comece com as menores doses possíveis e suba lentamente. Dessa forma, você descobrirá o quão pouco precisa ver os benefícios e reduzirá drasticamente as chances de efeitos colaterais.
  • Comece simples e desenvolva a partir daí: a maioria das pessoas vê melhorias significativas no foco, memória e energia mental de um complexo de vitamina B e alguns DHA. A adição de cafeína e Ginkgo biloba geralmente é suficiente para trazer melhorias mensuráveis ​​no desempenho cognitivo.
  • Não confie em uma única substância: muitas pessoas acreditam ser neurohackers experientes porque usam o mesmo produto há uma década. Mas confiar em uma substância pode levar a vários problemas. Por um lado, você não sabe realmente como esse nootrópico funciona em comparação com outras substâncias. Outra questão surge quando o suprimento falta e seu desempenho cognitivo sofre uma queda. É melhor adotar uma abordagem ampla.
  • Experimente formas diferentes do mesmo ingrediente: formas diferentes do mesmo nootrópico podem ter efeitos totalmente diversos. Além disso, algumas formas de minerais são mais facilmente absorvidas e biodisponíveis do que outras. Utilize diferentes formas de diferentes ingredientes para maximizar os resultados.
  • Cuide do sono: muitas pessoas se concentram exclusivamente em melhorar o foco e a capacidade de aprendizado. Elas tomam todos os tipos de substâncias que melhoram o foco, mas ignoram completamente um dos maiores determinantes do desempenho cognitivo: dormir! Quanto sono você tem a cada noite tem um impacto maior em sua função cognitiva do que quase qualquer outra coisa. Usar substâncias auxiliares para dormir, em vez de mais nootrópicos, talvez seja a melhor maneira de otimizar a função cerebral.
  • Escolha uma farmácia de manipulação de confiança para produzir seu nootrópico prescrito:  saiba aqui quais fatores diferenciam as boas farmácias de manipulação.
  • Caso opte por um na forma de suplemento: fique atento à composição desses produtos. Saiba como identificar um Ômega-3 de qualidade e descubra os segredos da Creatina.
  • Em caso de mal-estar, dor de cabeça, tonturas ou outro efeito adverso: interrompa o uso e procure seu médico.
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Sofrimento psicológico aumenta os riscos de ataque cardíaco e de derrame

Sabemos que o sofrimento psicológico prolongado pode desequilibrar a saúde física. E eis que a confirmação científica chegou: um novo estudo confirma que o sofrimento psicológico alto ou muito alto devido à depressão ou ansiedade afeta o risco de uma pessoa ter problemas de saúde cardiovascular, como ataque cardíaco e derrame. A confirmação pode ser um importante lembrete de como a saúde mental precisa ser tratada de maneira séria, integrada na prática clínica, e da importância de cuidar da saúde como um todo. Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, e da Universidade de Queensland, em Brisbane, Austrália, realizaram um grande estudo que investigou a associação entre medidas de sofrimento psíquico e risco cardiovascular. A ideia de que o estado de saúde mental pode influenciar o risco de uma pessoa ter um evento de saúde cardiovascular não é nova. De fato, um número crescente de estudos vem examinando esse tema em um esforço para obter uma melhor compreensão quantitativa dos fatores psicológicos sobre a saúde física. No novo estudo, a equipe avaliou 221.677 participantes com 45 anos ou mais, concentrando-se em seus níveis individuais de sofrimento e acompanhando a evolução de sua saúde cardiovascular ao longo dos anos. A análise concluiu que o sofrimento psicológico influencia o risco de eventos como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral, independentemente de outros fatores. Por isso, no artigo publicado recentemente em “Circulation: Cardiovascular Quality and Outcome”, a equipe de pesquisa recomenda que as pessoas já em risco de problemas de saúde cardiovascular considerem os distúrbios psicológicos como um fator de influência sério. Saúde mental e saúde cardiovascular: a ligação Os pesquisadores trabalharam com participantes recrutados através do estudo “45 and Up Study”. Os voluntários se juntaram ao estudo de 2006 a 2009, e nenhum deles havia sofrido um ataque cardíaco ou derrame no momento do recrutamento. Do total de participantes, 119.638 eram mulheres (com idade média de 60 anos) e 102.039 eram homens (idade média de 62 anos). Depois de contabilizar o impacto de outros fatores relevantes – incluindo tabagismo, dieta, consumo regular de álcool e histórico médico –, a equipe de pesquisa foi capaz de confirmar que a ligação entre o sofrimento psicológico alto ou muito alto e um risco cardiovascular aumentado permaneceu. "Embora esses fatores já relevantes possam explicar alguns dos riscos aumentados observados, eles não parecem explicar tudo, indicando que outros mecanismos provavelmente são importantes", explica a autora sênior do estudo, Caroline Jackson. Especificamente, os pesquisadores descobriram que as mulheres que experimentam sofrimento psicológico alto ou muito alto tiveram um risco 44% maior de acidente vascular cerebral. Quanto aos homens, aqueles com idade entre 45 e 79 anos que relataram sofrimento alto ou muito alto tiveram um risco 30% maior de ataques cardíacos. Com a idade, a associação parece se tornar mais fraca para os homens: a partir de 80 anos, houve um aumento menor no risco, mesmo com altas medidas de sofrimento. A fim de determinar os níveis de sofrimento psicológico dos participantes, os pesquisadores utilizaram um questionário de autoavaliação, com perguntas como "Com que frequência você se sente cansado sem uma boa razão?" e "Com que frequência você se sente tão triste que nada poderia animá-lo?" Sofrimento psicológico e sofrimento físico em pauta De acordo com os resultados, 16,2% dos participantes experimentaram níveis moderados de sofrimento psicológico, enquanto 7,3% relataram níveis altos ou muito altos. O acompanhamento dos participantes durou mais de quatro anos, durante os quais os pesquisadores registraram 4.573 ataques cardíacos e 2.421 derrames. É importante ressaltar que os pesquisadores observam que o risco geral de ataque cardíaco e derrame aumenta com cada medida de sofrimento psicológico. Os pesquisadores explicam que os resultados de seu estudo consolidam a noção de que o sofrimento severo – talvez vinculado a condições como depressão e ansiedade – pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo, enfatizam a necessidade de realizar mais estudos abordando os mecanismos subjacentes que podem estar em jogo, e entender melhor as diferenças potenciais de risco entre mulheres e homens. Jackson enfatiza ainda que os indivíduos com sofrimento psíquico devem receber atenção mais focada e assistência para o manejo dos sintomas, já que seu estado de saúde mental pode, de fato, prejudicar sua saúde física. "Encorajamos uma triagem mais proativa para sintomas de sofrimento psicológico. Os médicos devem rastrear ativamente os fatores de risco cardiovascular em pessoas com esses sintomas de saúde mental." – Caroline Jackson De fato, os pesquisadores explicam que, devido à abordagem metodológica – que exigiu analisar todos os fatores modificadores no mesmo ponto no tempo –, não foi possível avaliar a associação potencial entre medidas de sofrimento psíquico e outras variáveis, como hábitos alimentares ou tabagismo. Isso significa, eles alertam, que o sofrimento psicológico sobre o risco cardiovascular pode ser ainda maior do que o estimado. Traduzido e adaptado por Essentia Pharma: https://www.medicalnewstoday.com/articles/322891.php?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_country=BR&utm_hcp=no&utm_campaign=MNT%20Weekly%20%28non-HCP%20non-US%29%20-%20OLD%20STYLE%202018-08-29&utm_term=MNT%20Weekly%20News%20%28non-HCP%20non-US%29
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