A oxitocina, o hormônio do amor, ajuda os casais a se apaixonarem, vincula suas mães com seus bebês e incentiva equipes a trabalharem juntas. Agora uma nova pesquisa da Universidade de Rockefeller, revela um mecanismo pelo qual esse hormônio pró-social tem efeito sobre as interações entre os sexos, pelo menos em determinadas situações. A chave, ao que parece, é uma classe recém-descoberta de células cerebrais. 

 

“Ao identificar uma nova população de neurônios ativados pela oxitocina, nós descobrimos uma forma que este sinal químico influencia nas interações entre camundongos machos e fêmeas”, diz Nathaniel Heintz, James e Marilyn Simons, do Laboratório de Biologia Molecular.

A descoberta, publicada no Cell, teve o seu início em uma busca por um novo tipo de interneurônio, um neurônio especializado que transmite mensagens a outros neurônios através de distâncias relativamente curtas. Como parte de sua tese de doutorado, Miho Nakajima começou a criar perfis dos genes expressos em interneurônios usando uma técnica conhecida como ‘expressão de purificação por afinidade ribossômica’ (TRAP) anteriormente desenvolvida pelo laboratório Heintz e pelo laboratório de Neurociência Molecular e Celular de Paul Greengard, do Rockefeller. Dentro de alguns perfis da camada externa do cérebro conhecida como córtex, ela viu uma proteína intrigante: um receptor que responde à oxitocina.

“Isso levantou a questão: O que essa pequena e dispersa população de interneurônios está fazendo em resposta a este sinal importante, a oxitocina?” Nakajima relata. “Então desde que a oxitocina é mais envolvida em comportamentos sociais de mulheres, decidimos concentrar nossos experimentos em camundongos fêmeas.”

Para determinar como esses neurônios, apelidados de interneurônios receptores de oxitocina ou OxtrINs, afetavam o comportamento quando ativados pela oxitocina, ela silenciou somente esta classe de interneurônios e, em experimentos separados, bloqueou a capacidade do receptor para detectar a oxitocina em algumas mulheres. Então, deu-lhes um teste de comportamento social comum: a escolha entre explorar um quarto com um camundongo macho ou uma sala com um objeto inanimado – neste caso, uma peça de Lego plástico – o que elas escolheriam? Geralmente Legos não são interessantes para os roedores. Mas os resultados de Nakajima eram confusos: Às vezes, os camundongos fêmeas com as OxtrINs silenciados mostraram interesse anormalmente elevado no Lego, e às vezes elas responderam normalmente.

Isto a levou a suspeitar da influência do ciclo reprodutivo feminino. Em mais uma rodada de experimentos, ela gravou quais os camundongos fêmeas que estavam em estro, a fase sexualmente receptiva, ou diestro, um período de inatividade sexual. A chave estava no estro. Camundongos fêmeas nesta fase mostraram uma incomum falta de interesse nos machos quando os seus receptores foram inativados e a maioria delas apenas cheirou o Lego. Não houve efeito nos camundongos durante o diestro, e não houve nenhum efeito se o sexo masculino fosse substituído por um feminino. Quando Nakajima tentou a mesma alteração nos machos, também não houve efeito.

“Em geral, as OxtrINs permanecem em silêncio quando não expostas à oxitocina”, diz Andreas Görlich, um pós-doutorado que gravou a atividade elétrica desses neurônios com e sem hormônio. “A parte interessante é que, quando expostos à oxitocina esses neurônios disparam mais frequentemente em camundongos fêmeas do que em camundongos machos, possivelmente refletindo as diferenças que apareceram nos testes de comportamento.”

“Nós ainda não entendemos como, mas achamos que a oxitocina depende do estro para tornarem-se interessadas em investigar seus companheiros em potencial”, diz Nakajima. “Isto sugere que a computação social, acontecendo no cérebro de um camundongo fêmea varia, dependendo do estágio de seu ciclo reprodutivo.”

Os resultados ajudam a explicar como os mamíferos respondem às novas situações sociais, diz Heintz.

“As respostas da oxitocina têm sido estudadas em várias partes do cérebro, e é claro que ela, ou outros hormônios como ela, podem afetar o comportamento de diferentes maneiras, em diferentes contextos e em resposta a diferentes estímulos fisiológicos”, continua ele. “De um modo geral, esta nova pesquisa ajuda a explicar por que o comportamento social depende do contexto, bem como a fisiologia.”

 

Traduzido por Essentia Pharma

http://www.sciencedaily.com/releases/2014/10/141009163416.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed:+sciencedaily+%28Latest+Science+News+–+ScienceDaily%29

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