Pesquisa publicada na revista Molecular Psychiatry (junho/2012) demonstrou que os níveis cerebrais de serotonina são regulados pela quantidade e qualidade de bactérias intestinais que possuímos durante o primeiro ano de vida.

A colonização bacteriana do intestino tem um papel importante no desenvolvimento pós-natal e na maturação dos sistemas imunológico e endócrino. Estes processos são fatores fundamentais que regem a sinalização do sistema nervoso central (SNC) (1).

A regulação do eixo microbiota – intestino – cérebro é essencial para a manutenção da homeostase, inclusive a do SNC.Esta certificação se baseia em trabalho anterior (2) da University College Cork (UCC), na Irlanda, mostrando que o eixo existe, e é essencial para manter uma boa saúde, afetando o cérebro e o comportamento. No entanto, existe uma escassez de dados relativos à influência da microbiota no sistema serotoninérgico.

Cientistas do Centro Farmacobiótico Alimentar da UCC, usaram modelos de animais livres de bactérias (LB) para mostrar que a ausência destes microrganismos durante o início da vida afeta significativamente as concentrações de serotonina no cérebro na idade adulta. A pesquisa também destacou a influência do sexo masculino em comparação com as fêmeas1.

Animais LB do sexo masculino obteve uma elevada concentração hipocampal de ácido 5-hidroxitriptamina e 5-hidroxindolacético (serotonina), em comparação com animais controle convencionalmente colonizados. Além disso, esta alteração específica, determinada de acordo com o sexo, contrasta com os efeitos imunológicos e neuroendócrinos que são evidentes em ambos os sexos. As concentrações de triptofano plasmático (precursor da serotonina) em machos sugerem uma rota humoral através do qual a microbiota pode influenciar a neurotransmissão serotonérgica no SNC.

Curiosamente, a colonização antes da idade adulta em animais LB é insuficiente para reverter muitas das consequências neuroquímicas do SNC na vida adulta de uma microbiota ausente no início da vida, apesar de a disponibilidade de triptofano periférica ser restaurada aos valores basais.

Para o neurocientista John Cryan, essas descobertas são fascinantes ao destacar o papel importante que as bactérias intestinais tem na comunicação entre o intestino e o cérebro, pois, dessa forma, abre-se a oportunidade de desenvolver estratégias microbianas únicas para o tratamento de doenças cerebrais.

Estes resultados demonstram que a neurotransmissão do SNC pode ser profundamente perturbada pela ausência de uma flora intestinal normal e que esta neuroquímica, mas não o perfil comportamental, é resistente à restauração da flora intestinal normal na vida adulta.

Esta pesquisa tem implicações múltiplas para a saúde, pois mostra que a modificação da microbiota (por exemplo, através de antibióticos, dieta ou infecção) pode ter profundos efeitos em cadeia sobre a função cerebral.

Fonte:

1Clarke, G., Grenham, S., Scully, P., Fitzgerald, P., Moloney, R.D.  Shanahan, F.T. Dinan, G.,  Cryan, J.F. The microbiome-gut-brain axis during early life regulates the hippocampal serotonergic system in a sex-dependent manner. Molecular Psychiatry , June 2012.

2Cryan, J.F., O’Mahony, S.M. The microbiome-gut-brain axis: from bowel to behavior. Neurogastroenterol Motil. 2011 Mar;23(3):187-92.

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