Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Case Western Reserve University identificou uma via molecular conservada que controla a vida e a vida útil em vermes nematoides (Caenorhabditis elegans) – um organismo modelo frequentemente estudado em pesquisa biológica.

 

“Achamos que ao aumentar ou diminuir artificialmente os níveis de uma família de proteínas chamadas fatores de transcrição de Kruppel (sigla em inglês, KLFs), pode-se fazer C. elegans viver por períodos de tempo mais longos ou mais curtos”, disse o primeiro autor do estudo Dr. Nelson Hsieh à Sci News. “Uma vez que essa mesma família de proteínas também existe nos mamíferos, nossos dados sugerem que os KLFs também têm efeitos semelhantes sobre o envelhecimento em mamíferos”, explicou.

 

Os modelos de animais são essenciais para a pesquisa biológica. Para estudar uma doença ou processo humano, você não pode realizar a maioria dos trabalhos preliminares em seres humanos por razões éticas. Portanto, você deve desenvolver um modelo. Embora alguns modelos possam permanecer in vitro (fora de um corpo vivo), eventualmente você deve ser capaz de produzir a doença em um contexto que permita o progresso do estudo – em um corpo vivo. Modelos de animais, como vermes nematoides e camundongos, permitem uma aproximação muito mais próxima de uma resposta humana a doenças e outros processos.

 

Os camundongos compartilham 99% de seu DNA com seres humanos e têm uma vida curta em comparação. Portanto, estudos com camundongos envolvendo genes “knockout”* permitem que os pesquisadores observem os efeitos da remoção de genes isolados. C. elegans também é útil, especialmente na pesquisa em envelhecimento, por várias razões. Por um lado, os vermes têm um ciclo de vida curto de três dias, permitindo que os pesquisadores observem muitas gerações rapidamente.

 

São organismos muito simples, o que torna os efeitos de proteínas únicas muito mais fáceis de observar. O genoma de C. elegans foi sequenciado no final de 1998, então os cientistas têm tido amplas oportunidades para fazer experimentos com esse genoma relativamente curto, mas muito conhecido.

 

Lições aplicadas aos seres humanos: a busca pela longevidade

 

A pesquisa também demonstrou que C. elegans com altos níveis de proteínas KLF viveram vidas mais saudáveis e mais longas que os vermes normais. Da mesma forma, camundongos com níveis elevados de proteínas KLF mostraram atraso na disfunção dos vasos sanguíneos relacionados à idade. A equipe determinou que a função das proteínas KLF é controlar a autofagia – um mecanismo de controle de qualidade que permite que as células eliminem detritos, como subprodutos moleculares e proteínas dobradas erradamente que se acumulam ao longo do tempo, atingindo níveis críticos na velhice. A perda desse processo de limpeza e reciclagem é um sinal clássico de envelhecimento.

 

As células são menos capazes de realizar essas funções de reciclagem à medida que envelhecem. Uma vez que um nível insustentável de detritos tóxicos se acumula, a sobrevivência celular está ameaçada. É por isso que a equipe observou vermes sem proteínas KLF morrendo precocemente, já que suas células não conseguiam manter a autofagia. A partir daqui, os pesquisadores planejam estudar como a autofagia afeta a função dos vasos sanguíneos e desenvolver estratégias para direcionar as proteínas KLF em seres humanos.

 

“É intrigante a observação de que os níveis de KLF diminuem com a idade e que os seus níveis sustentados podem evitar a perda da função dos vasos sanguíneos associada à idade – uma vez que a disfunção vascular contribui significativamente para diversas condições associadas à idade, como hipertensão, doenças cardíacas e demência”, salientou o autor sênior Mukesh K. Jain.

 

“À medida que a nossa população envelhece, precisamos entender o que acontece com o coração e as artérias, porque confiamos neles para funcionar perfeitamente mais (e mais) tarde em nossas vidas”, acrescentou o Dr. Hsieh à Sci News. “Nossas descobertas iluminam o que pode acontecer durante o envelhecimento e fornecem uma base para a concepção de intervenções que retardam esses processos”, finalizou.
*N.daT.: Genes knocked out são genes desativados, substituídos ou quebrados, levando a alterações do fenótipo.

 

Traduzido e adaptado por Essentia Pharma.

 

Fonte: https://futurism.com/we-may-have-found-a-pathway-that-controls-aging/

 

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