Já tentou de tudo para fazer seu filho comer alimentos não-refinados? A simples troca do alimento no dia a dia pode ajudar.

É comum ouvir dos pais que não costuma oferecer determinado alimento ao filho, pois presume que ele não vai gostar. É o caso dos grãos integrais, como arroz, macarrão, aveia, linhaça, pão 100% integral, entre outros. De acordo com o Dietary Guidelines for Americans de 2010, pelo menos metade do consumo total de grãos deve ser de grãos inteiros e os adolescentes são a faixa etária com menor consumo desses alimentos integrais. Mas um novo estudo mostra exatamente o contrário. Se você oferecer às crianças grãos integrais, elas irão comê-los.

O objetivo da equipe de Radford, do Instituto de Alimentos e Ciências Agrícolas da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, foi determinar o efeito de proporcionar grãos refinados ou integrais aos adolescentes, incentivando-os a comer três diferentes alimentos à base de grãos por dia, dentre barra de cereais, pão integral e macarrão instantâneo refinado, por exemplo. Oitenta e três alunos do ensino médio, com idade entre 11 e 15 anos, foram aleatoriamente designados para modificar a dieta com base na ingestão dos grãos, por 6 semanas. O estudo apresentou um resultado bastante esperado: uma vez que tinha o alimento integral disponível, o grupo dos “grãos integrais” aumentou a ingestão de fibras, enquanto que aqueles que receberam somente grãos refinados, não demonstraram mudanças.

Qual a importância de consumir alimentos integrais? Comer grãos integrais, combinados com uma dieta saudável, pode reduzir o risco de doenças cardíacas e ajudar a controlar o peso, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA. Os alimentos integrais são aqueles que não passaram pelo processo de beneficiamento ou refinamento, e dessa forma, ainda possuem as películas que envolvem os grãos. Essas películas são ricas em nutrientes como fibras, vitaminas e minerais. Por isso, alimentos como arroz, macarrão e pão genuinamente integrais são considerados boas fontes de fibras alimentares, além de possuir melhores quantidades de vitaminas B2, B5, B6 e de minerais como o fósforo e ferro.

O arroz integral, por exemplo, quando passa pelo processo de polimento e as camadas mais externas são removidas, obtém-se o arroz branco. Quanto maior a intensidade do polimento, maior número de camadas são perdidas e consequentemente, maiores são as perdas de nutrientes. O arroz branco é composto basicamente por amido e por este motivo, em países que têm esse cereal como principal alimento da dieta, freqüentemente são observadas deficiências nutricionais, principalmente as relacionadas à falta de proteína, ferro, iodo e vitamina A (Storck, 2005).

Fontes:

Radford A, Langkamp-Henken B, Hughes C, Christman M, Jonnalagadda S, Boileau TW, Thielecke F, Dahl WJ. Whole-Grain Intake in Middle School Students Achieves Dietary Guidelines for Americans and MyPlate Recommendations when Provided as Commercially Available Foods: A Randomized Trial. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 2014.

University of Florida Institute of Food and Agricultural Sciences. “Offer kids whole grains; they’ll eat them, study shows.” ScienceDaily. ScienceDaily, 23 June 2014.

Storck CR, Silva LP, Comarella CG. Influência do processamento na composição nutricional de grãos de arroz. Alim. Nutr., Araraquara v.16, n.3, p. 259-264, jul./set. 2005.

 

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