CAMBRIDGE, Mass. – Durante a última década, estudos descobriram que a obesidade e o hábito alimentar calórico baseado em alto teor de gordura são fatores de risco significativos para muitos tipos de câncer. Agora, um novo estudo, do Whitehead Institute e do David H. Koch Institute for Integrative Cancer Research, ambos institutos associados ao MIT (Massachusetts Institute of Technology), revela como esse tipo de dieta torna as células do revestimento intestinal mais propensas a se tornarem cancerosas.

 

O estudo em camundongos sugere que uma dieta rica em gordura leva a um crescimento da população de células estaminais intestinais e também gera um conjunto de outras células que se comportam como células estaminais – isto é, elas podem reproduzir-se indefinidamente e diferenciam-se em outros tipos de células. Essas células-tronco e as que se comportam como tal são mais susceptíveis de dar origem a tumores intestinais, relata Omer Yilmaz, um professor assistente de biologia, do MIT, e colíder da equipe de pesquisa.

 

“Não só a dieta rica em gordura altera a biologia das células estaminais como também altera a biologia das populações de células não estaminais, o que leva coletivamente a um aumento na formação de tumores”, diz Yilmaz, que é um patologista gastrointestinal do Hospital Geral de Massachusetts.

 

“Sob uma dieta rica em gordura, as células não estaminais adquirem as propriedades das células-tronco, e na sua transformação se tornam tumorigênicas”, afirma o membro do Instituto Whitehead, David Sabatini, que também é professor (biologia) do MIT e um investigador do Instituto Médico Howard Hughes.

 

Sabatini e Yilmaz, que já haviam trabalhado em pesquisas sobre os efeitos da restrição calórica sobre as células-tronco no intestino, são os autores seniores do estudo, que aparece na publicação de Nature.

 

As pessoas obesas têm um risco maior de desenvolver câncer colorretal, de acordo com estudos anteriores. Sabatini e Yilmaz, cujos laboratórios estudam a relação entre dieta e câncer, decidiram tentar desvendar os mecanismos celulares subjacentes ao maior risco de câncer de cólon.

 

“Queríamos entender como uma dieta rica em gordura, durante um longo prazo, influencia a biologia das células-tronco, e como tais mudanças induzidas pela dieta que ocorrem nessas células impactam o início do tumor no intestino”, conta Yilmaz.

 

Estudos recentes têm mostrado que as células-tronco intestinais, que duram toda a vida, são as mais susceptíveis de acumular as mutações que dão origem ao câncer de cólon. Essas células estaminais vivem no revestimento do intestino, conhecido como epitélio, e geram todos os diferentes tipos de células que o formam.

 

Para investigar uma possível ligação entre essas células-tronco e o câncer associado à obesidade, os pesquisadores alimentaram camundongos saudáveis ​​com uma dieta composta de 60% de gordura, durante nove a 12 meses. A dieta, de acordo com os cientistas, foi muito mais elevada em gordura do que a dieta típica americana, que é usualmente de cerca de 20 a 40% de gordura.

 

Durante esse período, os animais sob a dieta rica em gorduras ganharam de 30 a 50% mais massa corporal do que os alimentados com uma dieta normal, e também desenvolveram mais tumores intestinais.

 

Esses camundongos também mostraram algumas mudanças distintas em suas células-tronco intestinais. Em primeiro lugar, os pesquisadores descobriram que o grupo sob a dieta rica em gorduras apresentava muito mais células estaminais intestinais do que o grupo sob dieta normal. Essas células também eram capazes de operar sem o feedback ou informação de células vizinhas.

 

Fonte:http://wi.mit.edu/news/archive/2016/high-fat-diet-linked-intestinal-stem-cell-changes-increased-risk-cancer

 

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