Idosos que consomem grande quantidade de carboidratos, incluindo o açúcar possuem maior risco de comprometimento cognitivo considerado leve, de acordo com um novo estudo. Comprometimento cognitivo desse grau inclui problemas com a memória, linguagem, pensamento e discernimento – o que pode ser um sinal precoce para a doença de Alzheimer.

O estudo incluiu 940 pessoas, com idades entre 70 e 89 anos, que não tinham problemas cognitivos no início do estudo e que forneceram informações sobre seus hábitos alimentares. Em 4 anos, 200 participantes apresentaram sintomas de declínio cognitivo leve, segundo a pesquisa realizada pela equipe da Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota, EUA. Aqueles que relataram maior ingestão de carboidratos e açúcar foram, respectivamente, 1,9 e 1,5 vezes mais propensos a desenvolver transtorno cognitivo leve.

Um alto consumo de carboidratos impacta no metabolismo da glicose. Basicamente, todos os tecidos do organismo têm a entrada de glicose regulada pela insulina, exceto o cérebro. A entrada da glicose se dá por difusão facilitada, e a glicose que não for imediatamente utilizada como energia será armazenada como glicogênio para ser reaproveitada posteriormente no organismo. Nos últimos anos, a teoria de que o cérebro não necessita de insulina foi questionada (veja figura abaixo).  É conhecido que existem receptores de insulina no cérebro, como por exemplo, no hipocampo, estrutura relacionada à memória.  Em 2011, um estudo piloto da Archives of Neurology demonstrou que uma solução intranasal de insulina melhorou as funções cognitivas de indivíduos com demência leve ou grave. Por ser o primeiro estudo a realizar tal procedimento não se pode tirar conclusões definitivas, nem é recomendado que pacientes com Alzheimer façam uso da insulina para melhorar a cognição.

Figura 1. Esquema reproduz a teoria de que o cérebro pode ser afetado com a resistência insulínica.

Embora o combustível principal do cérebro seja a glicose, é importante consumi-la com moderação, pois altos níveis podem causar insensibilidade à glicose, bem como acontece com a insulina, na diabetes tipo 2, de uma forma sistêmica. Daí a importância de uma dieta bem equilibrada com proteínas, carboidratos complexos e gorduras, tanto para evitar o desenvolvimento da diabetes como do Alzheimer.

Enquanto os pesquisadores não encontram uma associação definitiva entre o alto consumo de açúcar e de carboidrato e o declínio cognitivo, não se pode estabelecer uma relação de causa/efeito. No entanto, é importante atentar não somente aos níveis prejudiciais de glicose em órgãos como músculos, coração e rins, mas também a nível cerebral.

Fonte:

Mayo Clinic, 16 de outubro, 2012

Craft S, Baker LD, Montine TJ. Intranasal insulin therapy for Alzheimer disease and amnestic mild cognitive impairment: a pilot clinical trial. Arch Neurol. 2012 Jan;69(1):29-38. Epub 2011 Sep 12.

Bingham EMHopkins DSmith D. The role of insulin in human brain glucose metabolism: an 18fluoro-deoxyglucose positron emission tomography study. Diabetes. 2002 Dec;51(12):3384-90.

Monte S, Re E, Longato L, Tong M. Dysfunctional Pro-Ceramide, Er Stress and Insulin/IGF Signaling Networks with Progression of Alzheimer´s Disease. Journal of Alzheimer´s Disease, June 22, 2012.

J Clin Invest. 2012 Apr 2;122(4):1316-38. Demonstrated brain insulin resistance in Alzheimer’s disease patients is associated with IGF-1 resistance, IRS-1 dysregulation, and cognitive decline. Talbot K, Wang HY, Kazi H.

Convit A. Links between cognitive impairment in insulin resistance: an explanatory model. Neurobiol Aging. 2005 Dec;26 Suppl 1:31-5. Epub 2005 Oct 24.

 

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