Pesquisadores de um grande estudo recém-publicado no Journal of Internal Medicine forneceram novas evidências clínicas para abordar o papel do peixe e dos ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa ômega-3 na saúde geral – e contribuir para a atualização das diretrizes dietéticas.

Divulgada em julho de 2018, a pesquisa revela um risco menor de morte por qualquer causa durante um período de acompanhamento de 16 anos entre homens e mulheres que tiveram uma alta ingestão de peixe ou ácidos graxos poli-insaturados ômega-3, que incluem EPA, DHA e DPA. “O estudo atual é o maior entre todos os estudos que analisaram exaustivamente a ingestão de peixes e de ômega-3 em relação à mortalidade”, anunciaram os autores Y. Zhang e seus colegas.

A investigação incluiu 240.729 homens e 180.580 mulheres que se inscreveram no Estudo de Dieta e Saúde NIH-AARP* entre 1995 e 1996. Questionários sobre estilo de vida e dieta foram completados pelos participantes no momento da inscrição. Ao longo de 2011, ocorreram 54.230 óbitos entre os homens e 30.882 entre as mulheres.

Mortalidade X Ômega-3 na prática
Entre os homens, aqueles cuja ingestão diária de peixe estava entre os 20% melhores tiveram um risco 9% menor de morte durante o acompanhamento do que os homens cuja ingestão estava entre os 20% mais baixos. As mulheres no topo do consumo apresentaram um risco de morte cerca de 8% menor durante o acompanhamento do que aquelas cujo consumo estava entre os mais baixos.

Para homens cuja ingestão de ácidos graxos ômega-3 esteve entre as 20% mais altas, o risco de mortalidade por qualquer causa foi 11% menor do que o risco experimentado por homens cuja ingestão estava entre as 20% mais baixas. Da mesma forma, as mulheres tiveram um risco 10% menor.

Quando o risco de morte por doenças específicas foi analisado, os homens que tiveram a maior ingestão de ômega-3 tiveram um risco 15% menor de morte de doença cardiovascular, e para as mulheres do grupo do topo, o risco foi 18% menor. Uma maior ingestão de ácidos graxos ômega-3 foi significativamente associada a um menor risco de mortalidade por doença respiratória e doença de Alzheimer em homens e mulheres, e menor risco de doença hepática crônica e câncer em homens.

Benefícios do consumo de ômega-3
O consumo recomendado de pelo menos 250 miligramas de ácidos graxos ômega-3 EPA e DHA por dia foi associado a um risco 13% menor de mortalidade entre homens e um risco 7% menor entre as mulheres durante o acompanhamento em comparação com uma ingestão inferior a 50 miligramas por dia.

“Como as associações entre a ingestão de ácidos graxos de cadeia longa ômega-3 e a mortalidade foram semelhantes às da ingestão de peixe, o benefício do peixe provavelmente está relacionado ao abundante conteúdo de ômega-3, que possui propriedades anti-inflamatórias e pode prevenir o desenvolvimento de distúrbios causados por inflamação, incluindo doenças cardiovasculares, câncer e doença de Alzheimer”, observaram o Dr. Zhang e colegas.

*N. da T.: A dieta e estudo sobre a saúde “NIH-AARP” foram desenvolvidos no Instituto Nacional do Câncer, subdivisão dos Institutos Nacionais de Saúde (abreviação em inglês, NIH) dos EUA, para melhorar a compreensão da relação entre dieta e saúde. A organização AARP (American Association of Retired Persons), sem fins lucrativos, oferece aos seus membros – pessoas com idade a partir de 50 anos – serviços, advocacia, informação em prol de mudanças sociais positivas para a melhora da qualidade de vida.

Traduzido e adaptado por Essentia Pharma:
http://www.lifeextension.com/Newsletter/2018/8/Sixteen-year-risk-of-death-lower-among-people-who-consumed-more-omega-3/Page-01?sourcecode=EZXX00E&utm_source=eNewsletter&utm_medium=email&utm_content=HeroReadMore&utm_campaign=EZXX00E