No futebol americano a regra é clara: quanto mais força bruta, mais pontos. E isso inclui empurrões, trombadas violentas e, principalmente, muitas “cabeçadas” que chegam a causar…

É justamente sobre esses casos que trata um filme lançado em setembro de 2012, chamado “Head Games”, ou “Jogo de Cabeças”, traduzido ao pé da letra. O documentário produzido por Steve James retrata as consequências sofridas a longo prazo pelos jogadores de futebol americano da National Football League (NFL), organização que reúne 32 times americanos, considerada uma das maiores do mundo.

Relatos de suicídio, depressão, assassinato, perda de memória recente ou de longo prazo, Alzheimer e outros tipos de alterações neurológicas, levaram o neurocientista Daniel Amen e sua equipe a estudarem os efeitos de uma intervenção com o intuito de melhorar a função cognitiva e possivelmente reverter os danos cerebrais causados pelos anos de prática do esporte.

Primeiramente, os autores recrutaram 100 jogadores ativos e aposentados de futebol americano da NFL, de todas as posições. Eles foram submetidos a uma avaliação do histórico clínico, ao teste Microcog (avaliação da função cognitiva) e SPECT (técnica de imagens cerebrais em 3D), EEG (mapeamento da atividade elétrica cerebral) e outras medidas neuropsicológicas. Em relação ao grupo considerado saudável, os jogadores com danos cerebrais mostraram diminuição da perfusão global, especialmente no:

  • Córtex pré-frontal (área responsável pela atenção, organização e planejamento);
  • Lobos parietal, temporal e occipital (estabilidade de humor e memória);
  • Cerebelo (equilíbrio e coordenação)

As amostras de EEG demonstraram elevadas ondas lentas nas regiões frontal e temporal, e houve reduções significativas de valores considerados normais em testes neuropsicológicos. Este é o primeiro grande estudo a demonstrar significativas diferenças nos padrões cerebrais de jogadores de futebol americano.

Após atestar os danos causados por concussões cerebrais e estilo de vida desses jogadores, a equipe de Amen realizou outra investigação. O novo estudo incluiu 30 jogadores aposentados da NFL que demonstraram dano cerebral e cognitivo. Durante 6 meses, os participantes seguiram um protocolo para perda de peso (se necessário), ingestão de 5,6g/dia de óleo de peixe, potente polivitamínico e suplementos para melhorar a performance cerebral, com melhora do fluxo sanguíneo (ginkgo e vimpocetina), da acetilcolina (acetil-L-carnitina e Huperzine A) e da atividade antioxidante (ácido-alfa-lipoico e N-acetilcisteína). Os métodos de avaliação da função cognitiva utilizados foram Microcog e SPECT. Após o período de intervenção, os testes foram refeitos e mostraram aumentos estatisticamente significativos nos escores de atenção, memória, raciocínio, velocidade de processamento de informações e precisão no Microcog. As varreduras do cérebro através do SPECT indicaram aumento da perfusão cerebral, especialmente no córtex pré-frontal, lobos parietais, occipitais, giro do cíngulo anterior e cerebelo.  Muitos atletas tiveram mais de 50% de aumento nos escores. A pesquisa conseguiu mostrar que a melhoria do fluxo de sangue cerebral e função cognitiva são possíveis em atletas e ex-atletas com danos cerebrais, diante dessa intervenção.

Estes estudos são um grande avanço na medicina e abrem as portas para que mais pesquisas intervencionistas sejam feitas, a fim de estabelecer uma estratégia de cuidado e prevenção desses atletas desde o início de suas atividades esportivas até sua aposentadoria.

Referências

Amen, D. Impact of Playing American  Professional Football on Long-Term Brain Function. J Neuropsychiatry Clin Neurosci 23:1, Winter 2011.

Amen, D.G., Wu, J.C., Taylor, D., Willeumier, K. Reversing brain damage in former NFL players: implications for traumatic brain injury and substance abuse rehabilitation. J Psychoactive Drugs. 2011 Jan-Mar; 43(1):1-5.

 

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