Noah Thahane morreu no ano passado de insuficiência cardíaca com a idade de seis meses. Foi uma consequência do raquitismo, causado por uma grave deficiência de vitamina D, a chamada “vitamina do sol”. Especialistas da Universidade de Birmingham afirmam que sua morte era totalmente evitável e pedem que todos os bebês sejam suplementados desde o nascimento, lembrando o papel do monitoramento obrigatório pelos médicos clínicos e outros profissionais do sistema nacional de saúde (NHS) da Inglaterra. As gestantes devem ser aconselhadas sobre a necessidade de vitamina D e suplementos, eles reforçam.

“Estou muito preocupado que o que estamos vendo seja apenas a ponta do iceberg”, apontou o Dr. Wolfgang Högler, consultor endocrinologista do Birmingham Children’s Hospital. “Há muitos casos que não sabemos”.

As diretrizes do NHS notificam todas as gestantes a tomar vitamina D e, após o nascimento, a dar a vitamina ao seu bebê, “mas infelizmente sabemos que não funciona”, disse Högler. “A maioria – 85% – de todos os pais nem sabe que o programa existe, como a mãe de Noah”, lamentam.

Suplementação de vitamina D na infância

O departamento de saúde notifica que todos os bebês devem receber doses diárias de vitamina D a partir dos seis meses de idade e aqueles que são amamentados devem receber desde o nascimento, porque a fórmula láctea recebe adição da vitamina. No entanto, os pesquisadores afirmam que esta orientação está desatualizada e confusa.

Högler afirma que todos os bebês devem ser suplementados desde o nascimento e aqueles que não são devem ser atendidos para tal quando são levados para vacinação. “Por que estamos prevenindo infecções, mas não prevenindo o raquitismo da mesma maneira?”, ele pergunta.

O artigo escrito por Högler e publicado na revista BMC Pediatrics descreve três casos de bebês de seis meses de idade ou menos que ficaram muito doentes por causa da falta de vitamina D. Os outros dois se recuperaram. Todos nasceram de mulheres asiáticas, africanas e de origem étnica minoritária. A pele escura e a falta de luz do sol – seja por viver no hemisfério norte, por encobrir o corpo ou por não tomar sol – reduzem a quantidade de vitamina D produzida pela pele. O mesmo acontece com a falta de cálcio na dieta.

Insuficiência de vitamina D e suas consequências

O Reino Unido tem um “inverno de vitamina D” – ou seja, insuficiente sol para peles escuras, em particular para produzir a vitamina – durante seis meses do ano. “Não é surpresa”, relata a publicação, “que os casos que apresentamos ocorreram no início da primavera”.

A mãe de Noah, Beverley, disse que seu filho sofria de convulsões inexplicáveis. Em janeiro do ano passado, ele teve uma parada cardíaca em casa e os médicos não conseguiram salvá-lo. “Eu não tinha sido informada da necessidade de suplementação de vitamina D infantil, ou que corria maior risco devido a minha pele escura. Também não tinha ideia de quão catastróficos os efeitos de uma deficiência de vitamina podem ser”.

O raquitismo foi erradicado do Reino Unido durante a segunda guerra mundial, quando a comida passou a ser enriquecida com vitaminas. Desde que o procedimento parou, casos voltaram a ocorrer, mas em grande parte sob controle. Högler acredita que a maneira mais segura de manter os bebês seguros seria fortalecer a comida mais uma vez.

Artigo traduzido e adaptado por Essentia Pharma: https://www.theguardian.com/society/2018/jun/26/all-babies-should-be-given-vitamin-d-from-birth-say-experts