Níveis de gordura corporal em crianças aumentam conforme o status de vitamina D durante a gravidez.

A revista científica American Journal of Clinical Nutrition divulgou em maio de 2012 um estudo sobre o risco de aumento da gordura corporal em crianças cujas mães tiveram níveis reduzidos de vitamina D durante a gravidez. O estudo incluiu 977 gestantes que participaram da Pesquisa de Mulheres da Universidade de Southampton. Com 6 anos de idade os níveis corporais de gordura das crianças foram medidos e se revelaram maior naqueles cujas mães tinham níveis mais baixos de vitamina D.Embora ainda não haja muitas evidências sobre esta relação, a pesquisa sugere que o estado nutricional da mãe durante a gestação é muito importante.

Ao interpretar os dados, os efeitos negativos ao feto podem ser decorrentes de uma deficiência de vitamina D materna e que predispõe ao excesso de gordura corporal na infância tardia. Além disso, essas descobertas apontam para evidências atuais de que mulheres em idade reprodutiva possuem baixos níveis da vitamina D. As observações sobre a insuficiência materna da vitamina podem também estar associadas à restrição no crescimento intra-uterino, porém com ganho acelerado de peso nos primeiros anos de vida.

A condição de o recém-nascido possuir grandes probabilidades de acumular gordura corporal ao longo da vida deve-se ao fato de herdar essas características da mãe, ou seja, ocorrer depósitos de vitamina D nos adipócitos (células de gordura) tanto da mãe quanto do filho.

Acredita-se que a insuficiência de vitamina D não seja consequência da menor exposição solar, mas um dos fatores que desencadeia o acúmulo de gordura corporal. Esse processo pode estar ligado ao depósito de vitamina D nos adipócitos, diminuindo a sua biodisponibilidade e provocando uma cascata de reações pelo hipotálamo que resulta no aumento da sensação de fome e diminuição do gasto energético. Tal situação também gera aumento nos níveis de paratormônio (PTH), diminuição da sensibilidade à insulina e aumento desproporcional na concentração de cálcio intracelular.

Mais estudos são necessários para comprovação desta relação. O que existe atualmente são evidências da ação deste hormônio sobre o metabolismo de gorduras e a hipótese de sua relação com a obesidade tanto em gestantes, recém-nascidos, crianças ou adultos. Sendo assim, qualquer decisão de suplementação de vitamina D deve ser feita por um médico ou nutricionista, que avaliará a melhor dose a ser administrada.

Fonte:

Crozier, S.R., Harvey, N.C., Inskip, H.M., Godfrey, K.M., Cooper, C., Robinson, S.M. Maternal vitamin D status in pregnancy is associated with adiposity in the offspring: findings from the Southampton Women’s Survey. Am J Clin Nutr. 2012 Jul;96(1):57-63.

Peterlik, M., Boonen, S., Cross, H.S., Lamberg-AllardtC. Vitamin D and Calcium Insufficiency-Related Chronic Diseases: an Emerging World-Wide Public Health Problem. Int J Environ Res Public Health 2009; 6(10): 2585-607. 

Schuch, N.J., Garcia, V.C., Martini, L.A. Vitamina D e doenças endocrinometabólicas. Arq Bras Endocrinol Metab2009; 53(5): 625-33.

 Snijder, M.B., van Dam, R.M., Visser, M., Deeg, D.J.H., Dekker, J.M., Bouter, L.M. et al. Adiposity in relation to vitamin D status and parathyroid hormone levels: a population-based study in older men and women. J Clin Endocrinol Metab 2005; 90: 4119-23.

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