A terapia hormonal (TH) continua a ser o tratamento mais eficaz para os sintomas da menopausa, tais como sintomas vasomotores e atrofia urogenital, de acordo com orientações atualizadas da Sociedade Internacional de Menopausa sobre a gestão da saúde geral de mulheres de meia-idade.

 

Porque a relação risco-benefício é diferente para mulheres na perimenopausa, em comparação com mulheres na pós-menopausa mais velhas, “O tratamento hormonal na menopausa (THM)] deve ser individualizado e adaptado de acordo com os sintomas e a necessidade de prevenção, bem como o histórico pessoal e familiar, resultados relevantes de pesquisas, preferências e expectativas da mulher”, escreve Rodney J. Baber, MD, da Universidade de Sydney, na Austrália, e colegas do International Menopause Writing Group.

 

“Uma estratégia global deveria considerar o THM, incluindo recomendações de estilo de vida sobre a dieta, exercício, cessação do tabagismo e níveis seguros de consumo de álcool para manter a saúde das mulheres na peri e pós-menopausa”, escrevem os autores.

 

As recomendações foram publicadas em Climacteric, juntamente com uma declaração de consenso revisto sobre o TH. Várias sociedades de renome endócrinas e de menopausa endossaram a declaração, incluindo a The North American Menopause Society e a Endocrine Society.

 

“A declaração revista contém apenas o conteúdo de consenso e não substitui as recomendações mais detalhadas e totalmente referenciadas das sociedades individuais”, escrevem Tobie de Villiers, MBChB, da Universidade de Stellenbosch, na Cidade do Cabo, África do Sul, e colegas na declaração sobre TH.

 

As recomendações atualizam as anteriores, emitidas em 2013, mas com vários novos recursos: notas para as recomendações, níveis de evidência e “pontos de boas práticas”.

 

As recomendações iniciam com uma discussão dos fatores que contribuem, e os efeitos posteriores do ganho de peso e obesidade, apontando para a falta de evidência que alterações hormonais contribuem para o ganho de peso, juntamente com uma visão geral das alterações fisiológicas em mulheres na meia-idade.

 

Benefícios superam os riscos

 

Além de esclarecer sobre as evidências mais recentes sobre os riscos do tratamento hormonal, as recomendações discutem os benefícios na prevenção de várias doenças do envelhecimento. “Os dados indicam crescentes benefícios para a prevenção primária de fraturas osteoporóticas e doença arterial coronária, e uma redução de todas as causas de mortalidade em mulheres que iniciam TH na época da menopausa”, observam os autores.

 

“Novos dados e reanálise de estudos mais antigos pela idade das mulheres mostram que, para a maioria das mulheres, os benefícios potenciais do THM são muitos e os riscos são poucos quando iniciado dentro de alguns anos da menopausa.”

 

Os resultados aparecem minuciosos e esclarecem eficazmente a evidência em torno do tratamento hormonal, tanto quanto é possível, relatou Gretchen Makai, MD, diretora de cirurgia ginecológica minimamente invasiva, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Christiana Care Health System, Wilmington, Delaware, ao Medscape Medical News.

 

“Estas recomendações dão provas suficientes para quase dar “permissão” aos prestadores de saúde para recomendar o TH para ajudar as mulheres que sofrem, desde que muitos profissionais têm hesitado”, explicou a Dra. Makai. “A evidência para o tratamento hormonal é tão ampla, e a forma como ele afeta as mulheres é tão grande, que chega a ser difícil para um provedor de saúde (baseado em evidências), mas não trabalhando em um grande centro acadêmico, estar atualizado ao nível das orientações.”

 

Evidência adicional a respeito dos riscos de câncer e doenças cardíacas

 

Entre os aspectos mais colaborativos das novas diretrizes estão os números mais precisos para o risco de câncer com o tratamento hormonal, disse a Dra. Makai. “Os números que nos deram para câncer de mama vai mudar a maneira como eu aconselho as mulheres. Eu costumava dizer que não é zero, mas muito baixo. Mas agora eu posso fornecer um número.”

 

As diretrizes citam o aumento do risco de câncer da mama atribuível ao uso de TH como menos de 1 em cada 1.000 mulheres por ano, o que é um risco semelhante ou menor do que a contribuição de fatores, tais como estilo de vida sedentário, obesidade e consumo de álcool.

 

“É intrigante que no estudo do Women’s Health Initiative (WHI) não houve aumento do risco de câncer de mama na única ramificação do estudo dirigida ao estrogênio. Isto levanta questões sobre o papel dos progestágenos no câncer de mama”, Paula Amato, MD, professora associada do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, Oregon Health & Science University, Portland, disse ao Medscape Medical News. “Mas nenhuma conclusão pode ser tirada do WHI sobre os progestágenos e o câncer de mama porque as populações nas duas ramificações do estudo eram diferentes, tornando as comparações difíceis.”

 

Embora a evidência ainda pareça limitada, outra área de disputa que as recomendações se dirigiram foi a associação entre o tratamento hormonal e vários riscos cardíacos.

 

“A questão mais controversa em relação ao TH, na minha opinião, é se, quando iniciado cedo, ele é benéfico para a prevenção de doenças cardíacas, ou seja, antes dos 60 anos e dentro de 10 anos da menopausa”, relatou Amato. “O estudo WHI mostrou que não é claramente benéfico e, na verdade, pode ser prejudicial, quando se começa mais tarde. A preponderância da evidência parece sugerir um efeito protetor quando o tratamento é iniciado cedo. Mas, isso não foi definitivamente comprovado em ensaios clínicos randomizados, de grande escala, em longo prazo.”

 

Da mesma forma, a Dra. Amato salientou, é necessário mais investigação para compreender os efeitos potenciais do estrogênio transdérmico. “Há também alguma sugestão de que o estrogênio transdérmico pode ser mais seguro do que o oral com relação ao acidente vascular cerebral e risco de tromboembolismo. Mas, isto é baseado em marcadores substitutos, ainda faltando dados sobre resultados de longo prazo.”

 

As recomendações podem ajudar os profissionais a estratificar o risco de seus pacientes, que, para tal, um aplicativo seria particularmente útil, afirmou a Dra. Makai. Ela gostaria de mais informações sobre o gerenciamento de mulheres obesas com sintomas vasomotores, particularmente desde que a evidência sugere que estas mulheres têm mais ondas de calor.

 

“Estas pacientes já estão em maior risco de embolia pulmonar, mas ainda estão com mais necessidade de TH para os seus sintomas maiores”, a Dra Makai salientou, acrescentando que a obesidade também aumenta o risco de câncer de mama. No entanto, ela ficou surpresa de ver nas diretrizes discussões sobre a terapia de testosterona para a disfunção sexual, desde que a terapia não está disponível nos Estados Unidos.

 

Também, entre as atualizações está uma nova definição para a atrofia vulvovaginal, agora chamada de síndrome geniturinário da menopausa “para descrever com mais precisão a constelação de sintomas urogenitais e sinais associados com a menopausa, e para remover o estigma negativo da atrofia”, escrevem os autores.

 

As diretrizes foram financiadas pela International Menopause Society. Os coautores relataram relações financeiras com Abbott, AbbVie, Acerus Pharmaceuticals, Actavis, Adcock Ingram Ltd, Allergen, Amgen, Astellas, Bayer, Besins, BMR, Colin Health, Cook ObGyn, Ferring, Gideon Richter, Isdin, JDS Therapeutics, Lawley Pharmaceuticals, Merck, Mylan, Noven, Novo Nordisk, Pfizer, Philips Ultrasound, Pierre Fabre, Radius Health Inc., Roche Pharmaceuticals, Sermonix Pharmaceuticals, Shinogi, TEVA Women’s Health Inc, and Therapeutics MD.

 

 

Traduzido por Essential Pharma

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/867600?nlid=108923_2982&src=wnl_dne_160819_mscpedit&uac=205527PG&impID=1181372&faf=1#vp_1

 

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