O termo “adaptogênico” foi introduzido na medicina no século XX, derivado da palavra adaptar – portanto, tal nomenclatura não é antiga, mas o uso das plantas e compostos que recebem essa denominação é milenar.

Todos nós lidamos com estresse, e todos os dias os nossos corpos se esforçam para se adaptar e permanecer saudáveis e em equilíbrio. Algumas plantas, como o ginseng, ashwagangha, rhodiola, são denominadas “adaptógenas”, pois produzem uma resposta defensiva de adaptação aos diferentes tipos de estresse sobre o nosso organismo.

Todas as plantas possuem compostos característicos a adaptógenos, alguns localizados nos bulbos ou raízes, outros nos frutos, caules, ou mesmo em cogumelos/mycelium. No entanto, algumas recebem o título de “adaptógenas” porque estudos evidenciaram efeitos que ajudam a regular os sistemas neuroendócrino e imune, favorecer a ajuda contra o estresse e aumentar a habilidade de uma pessoa manter a homeostase (equilíbrio interno do organismo) a um ótimo nível. Adicionalmente, elas ainda apresentam longo histórico de segurança e eficácia de uso.

Entre as adaptógenas mais pesquisadas estão a ashwagandha (Withania somnifera), o ginseng asiático (Panax ginseng), o ginseng americano (Panax quinqeufolius), rhodiola (Rhodiola rosea), shilajit (Asphaltum bitumen), cordyceps (Cordyceps sinesis), eleuthero (Eleutherococcus senticosus), schisandra (Schisandra chinensis) e rhaponticum (Rhaponticum carthamoides). Há milênios a medicina tradicional chinesa e a medicina indiana ayurveda utilizam essas plantas, além de outras medicinas, como a tibetana, greco-arábica e kampo (Japão).

Uso das plantas contra o estresse
A pesquisa moderna vem confirmando continuamente os muitos efeitos benéficos e a segurança de uso desse conhecimento milenar, inclusive pesquisas recentes mostraram que as adaptógenas trabalham através da re-regulação dos principais sistemas do corpo, o eixo HPA (hipotalâmico/pituitário/adrenal) e o sistema (adrenal) simpático. O eixo HPA controla a função endócrina bem como o sistema nervoso e algumas funções do sistema imune, e o sistema simpático nos prepara para a resposta de “luta ou fuga”, ou seja, circunstâncias ameaçadoras (imaginárias ou não).

Uma pesquisa publicada recentemente em Pharmaceuticals adicionou mais uma descoberta: as adaptógenas trabalham no nível celular prevenindo a disfunção mitocondrial induzida por níveis excessivos de cortisol, conhecido como hormônio do estresse. A disfunção mitocondrial tem sido associada a várias condições crônicas de saúde.

Num mundo com um ritmo mais rápido, muitas vezes com estilos de vidas possivelmente mais estressantes em comparação com os do passado, as adaptógenas são mais do que bem-vindas, nos fornecendo oportunidades adaptativas e de melhor resiliência orgânica. Elas podem ser usadas tanto como prevenção quanto incluídas em protocolos médicos. Muitas funcionam melhor quando combinadas, devido ao seu efeito sinérgico – uma qualidade complementar. Ou seja, enquanto uma erva ou seu composto isolado pode tratar o sintoma predominante, outras podem aumentar a sua absorção local, melhorar a circulação, digestão ou qualidade de sono.

O poder do gengibre e das adaptógenas para a saúde
Tomemos como exemplo o nosso conhecido (adaptógeno) gengibre, comumente usado em receitas culinárias. A extensa pesquisa sobre os seus benefícios para a saúde é impressionante, abrangendo perto de 100 condições ou sintomas.
Exemplificando, numa ocasião corriqueira de acidez estomacal (azia), ao invés de recorrer a um antiácido convencional (inibidores da bomba de prótons), o gengibre (com propriedades antibactericida, antiviral, antiparasitária, anti-inflamatória) já evidenciou acalmar o estômago por ser capaz de atuar de maneira preventiva à bactéria comumente implicada na formação da úlcera (Helicobacter plyori).
Um estudo examinou a ação do extrato de gengibre versus inibidores de bombas de prótons, como o antiácido lansoprazol. Pesquisadores descobriram que uma fração de gengibre exibia seis a oito vezes melhor potência sobre o lansoprazol na inibição da produção de ácido. Na área da oncologia, outro caso exemplificador dos muitos possíveis usos deste adaptógeno é quando o médico o prescreve a pacientes após a quimioterapia para minimizar a náusea. (Bem, no caso de náusea, os profissionais de ginecologia e obstetrícia bem como suas pacientes são experts quanto ao uso do gengibre!).
No caso de uma doença complexa, talvez ingerir uma planta adaptógena (ou mais) por si só possa não ser suficiente para a sua cura, mas a sua adição ao protocolo médico mostra acelerar a recuperação, reduzir a inflamação e oxidação, normalizar a resposta do sistema imune, promover melhor sono, melhorar a re-regulação endócrina e aliviar o estresse emocional ou psicológico.

Cada vez mais profissionais de saúde estudam sobre os compostos dessas plantas e os incluem na sua prática clínica, especialmente em pacientes com condições imunes, ansiedade, alergias, diabetes tipo 2, disfunção erétil, na perimenopausa e andropausa. Sempre que puder, pergunte ao seu profissional de saúde sobre a possibilidade de inclusão desses remédios botânicos ao seu protocolo de saúde!

Artigo original Essentia Pharma.

Referência bibliográfica:
Panossian A; Wikman G. Effects of Adaptogens on the Central Nervous System and the Molecular Mechanisms Associated with their Stress – Protective Activity. Pharmaceuticals; 2010. Doi:10.3390/ph3010188.
Winston d; Maimes S. Adaptogens – Herbs for Strength, Stamina, and Stress Relief. Healing Arts Press; 2007.
Siddaraju MN; Dharmesh SM. Inhibition of gastric H+, K+-ATPase and Helicobacter pylori growth by phenolic antioxidants of Zingiber officinale. Mol Nutr Food Res. 2007.

 

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