Nas próximas décadas, a doença de Alzheimer pode chegar ao nível de epidemia devido, principalmente ao aumento da faixa etária da população. Mas ainda existem dois fatores importantes que cercam essa doença: 1) Atualmente não há nenhum tratamento eficaz; 2) São poucos os estudos que avaliam associação da doença com alterações genéticas associadas (mutações), reduzindo o número de estratégias para terapias futuras.

A doença de Alzheimer

Patologicamente, a doença de Alzheimer é caracterizada pelo depósito de proteínas no cérebro. Estes depósitos são formados por duas proteínas: placas de beta-amiloide e emaranhados da proteína tau que formam de pequenas a grandes lesões com o tempo. A causa desses acúmulos é desconhecida, mas se discute se alterações específicas na regulação da expressão de genes podem estar envolvidas. E é aí que entra um campo muito novo da genética: a epigenética.

A revista científica Hippocampus publicou um artigo liderado pelo Diretor de Epigenética e Biologia do Câncer, Manel Esteller, do Instituto de Pesquisa Biomédica de Bellvitge (IDIBEL), e pesquisador e professor de Genética na Universidade de Barcelona, com a colaboração da Instituto de Neuropatologia IDIBEL, conduzido por Isidre Ferrer, demonstrando pela primeira vez a existência de uma lesão epigenética no hipocampo do cérebro de pacientes com Alzheimer.

“Estamos no início de um estudo sobre 30.000 ´interruptores moleculares´, estruturas que ligam e desligam genes na região do hipocampo em diferentes estágios da doença. E justamente observamos que o gene dusp22 ‘desliga’ com o avançar da doença”, explica Manel Esteller. “A descoberta de que esse gene regula a proteína tau foi o mais surpreendente, pois se pode associar o acúmulo da proteína à inativação do gene”, completa o autor.

A descoberta é relevante para auxiliar na busca de novos tratamentos que atuem sobre os interruptores moleculares epigenéticos. Em tempo: a epigenética refere-se a todas as mudanças reversíveis e herdáveis nos genes, mas sem alterá-los no DNA. Ou seja, estuda como a função de cada gene é passada de pai para filho e como fatores ambientais podem alterar os genes, além de outras áreas de estudos. A pesquisa na área da epigenética alcança implicações na agricultura, na biologia e doenças humanas, incluindo o entendimento sobre o Alzheimer, base que serviu para iniciar a pesquisa que apresentamos.

Isso significa que o modo como vivemos pode alterar nossos genes, diferente do que se acreditava há um tempo.  Hábitos de vida pouco saudável, o fumo, bebidas alcoólicas e deficiências nutricionais proporcionadas pela má alimentação são alguns fatores que influenciam a epigenética.

Fonte:

Jose Vicente Sanchez-Mut, Ester Aso, Holger Heyn, Tadashi Matsuda, Christoph Bock, Isidre Ferrer, Manel Esteller. Promoter hypermethylation of the phosphatase DUSP22 mediates PKA-dependent TAU phosphorylation and CREB activation in Alzheimer’s disease. Hippocampus, 2014;

Salvato, F. Epigenética. Seminários em Genética e Melhoramento de Plantas.