Um novo estudo conduzido pelos pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia (CMUC) descobriu que a leptina – hormônio que desempenha um papel fundamental no metabolismo energético, fertilidade e massa óssea – também regula o diâmetro das vias aéreas.

As descobertas podem explicar por que existem mais diagnósticos de pessoas obesas com asma e sugerem que os sintomas associados à doença podem ser aliviados através da inibição do sistema nervoso parassimpático que aumenta a broncoconstrição – causa da asma.

O estudo foi publicado na edição online de janeiro de 2013 da revista Cell Metabolism. Gerard Karsenty, professor da CMUC e um dos autores, relatou que a hipótese do estudo iniciou-se com a observação de que tanto a obesidade como a anorexia leva à asma. “Isso nos levou a suspeitar da ligação, direta ou indiretamente, de adipócitos (células de gordura) com a função pulmonar. O fator mais provável dessa ligação foi a leptina, proteína produzida pelos adipócitos e que atua como hormônio no corpo.”

Ampla evidência mostra que a obesidade pode causar o estreitamento das vias respiratórias (broncoconstrição). Quando a obesidade se desenvolve em pessoas com asma, isso agrava a respiração e dificulta o seu tratamento através de mecanismos que ainda são mal compreendidos. O estudo foi realizado para elucidar as bases genéticas e moleculares das relações entre a obesidade, diâmetro das vias aéreas e função pulmonar.

Através de estudos com ratos, os pesquisadores associaram peso corporal, alto ou baixo, à função pulmonar diminuída. Em seguida, eles mostraram que a leptina aumenta o calibre das vias aéreas, independente da regulação do apetite.

A leptina afeta as vias aéreas pela diminuição da atividade do sistema nervoso parassimpático, lado do sistema nervoso autônomo geralmente não associado com o hormônio. Os pesquisadores também mostraram que a regulação do diâmetro das vias aéreas ocorre independentemente de os brônquios estarem com inflamação local ou não.

Em um dos experimentos, ratos obesos e asmáticos foram administrados com uma substância que aumenta a inflamação pulmonar. Após, infundiram leptina em seus cérebros por 4 dias. “Não houve efeito sobre a inflamação, mas o diâmetro das vias aéreas e as funções pulmonares se normalizaram”, disse Karsenty. Isto mostrou que, ao menos em ratos, a relação obesidade X asma pode melhorar, porém sem afetar a inflamação. No segundo experimento, os pesquisadores trataram ratos obesos e asmáticos com drogas que diminuem o tônus parassimpático ou a taxa de disparo neuronal. Novamente, os sintomas da doença foram reduzidos. “É possível aliviar os sintomas da asma em pessoas obesas com fármacos que inibem a sinalização parassimpática e, assim, elevar a sinalização cerebral de leptina”, conclui Karsenty.

Em setembro de 2012, Lugogo e sua equipe do Centro Médico da Universidade de Duke, EUA, já haviam demonstrado em ensaio clínico que macrófagos alveolares são significativamente elevados em indivíduos sobrepeso/obeso e excepcionalmente sensíveis à leptina, corroborando a associação de doenças das vias respiratórias com obesidade.

O estudo de Karsenty e sua equipe ressalta que mais ensaios clínicos são necessários antes de se fazer uso de uma ou mais drogas no tratamento da asma associada ao peso corporal elevado.

Referência

Arteaga-solis, E., Zee, T., Emala, C.W., Vinson, C., Wess, J., Karsenty, G. Inhibition of Leptin Regulation of Parasympathetic Signaling as a Cause of Extreme Body Weight-Associated Asthma. Cell Metabolism, Volume 17, Issue 1, 35-48, 8 January 2013

Am J Respir Crit Care Med. 2012 Sep 1;186(5):404-11. Alveolar macrophages from overweight/obese subjects with asthma demonstrate a proinflammatory phenotype. Lugogo NLHollingsworth JWHowell DL, Que LG, Francisco DChurch TDPotts-Kant ENIngram JLWang YJung SHKraft M.

Science Daily@

 

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