A atenção aos fatores de risco e sinais de alerta, juntamente com terapias médicas e psiquiátricas específicas, pode prevenir em alguns casos o desenvolvimento de psicose, ou melhor preparar os indivíduos e suas famílias.

Um estudo apresentado no International Early Psychosis Conference, em Tóquio, Japão mostra que pessoas sob risco de desenvolver psicose, mas que tomam suplemento de ácido graxo ômega 3 – comumente encontrado nos óleos de peixe – podem prevenir a condição por aproximadamente 7 anos.Os investigadores acreditam que esta abordagem, tanto segura quanto econômica, possa ajudar os portadores desta doença mental severa a permanecerem mais funcionais, enquanto experienciam menos episódios psicóticos. Isto, é claro, ainda requer mais independentes e adicionais estudos para sua confirmação.

“Uma intervenção com suplementos de ômega 3 preveniu a psicose por aproximadamente 7 anos após a linha de base em indivíduos com alto risco de psicose que participaram do estudo”, de acordo com Dr. Paul Amminger e coautores Patrick McGorry do Orygen Youth Health Research Centre da Universidade de Melbourne, Austrália, e Monika Schlögelhofer, da Medical University de Viena, Áustria.

Esta pesquisa em andamento se baseia no fato de que prévios estudos randomizados e controlados – onze no total – tenham mostrado que usando terapias específicas para tratarem pessoas com alto risco psicótico leva a menores números de indivíduos desenvolvendo a doença, no prazo de 1 ano.

E desde que os pesquisadores e clínicos sabem ser possível identificar os primeiros sinais da psicose – ao contrário de esperar até que um episódio ocorra – a intervenção antecipada com medidas como pequenas doses de antipsicóticos, terapia cognitiva comportamental (TCC), juntamente com a suplementação do ácido graxo ômega 3, pode oferecer promessa àqueles do grupo de alto risco.

A psicose é definida como um estado quando a pessoa intermitentemente perde contato com a realidade, levando-a a um estado mental anormal. Em pessoas diagnosticadas com esquizofrenia, uma forma severa da psicose, têm-se encontrado baixo o nível de ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 (PUFA) na membrana celular. É sugerido que os efeitos benéficos e terapêuticos da suplementação de ômega 3 sejam derivados das propriedades antioxidativas e anti-inflamatórias. O ômega 3 também atua modulando os níveis do sistema  de dopamina e serotonina do cérebro. Ambos transmissores têm sido associados com distúrbios emocionais e com a biologia da psicose, inclusive a esquizofrenia.

Em 2010, o grupo de Amminger, previamente demonstrou que uma intervenção de 12 semanas com o ácido graxo poli-insaturado de cadeia longa ômega 3 (PUFA) reduziu o risco de progressão para psicose em jovens (em alto risco), ao longo de um período de um ano. (Amminger et al., 2010, Arch Gen Psychiatry)

“Uma descoberta surpreendente do nosso ensaio de 2010,” explicou Amminger”, foi a de que os efeitos do tratamento foram mantidos após a cessação da intervenção experimental”. No entanto, ele ressalta que os experimentos com medicamentos antipsicóticos não encontrou isso. “Assim, a nossa descoberta sugere que os PUFAs (ômega 3) podem, pelo menos, retardar o aparecimento da psicose nos indivíduos com formas atenuadas da psicose.”

“Nós já completamos um follow-up deste experimento de 2010 para estabelecer a eficácia a longo prazo da suplementação com ômega 3, mantendo a metodologia duplo-cego. O importante é que descobrimos que a intervenção breve com ômega 3 teve um efeito duradouro, impedindo o início da psicose em participantes do estudo por 7 anos.” De acordo com Amminger, a diferença entre os grupos de intervenção no risco de progressão para a fase ativa foi de 22,6% em 12 meses; em 7 anos de seguimento, a diferença foi de 30%.

“Notavelmente, os resultados de ensaios clínicos são corroborados por uma série de estudos de biomarcadores relacionados (publicado no Molecular Psychiatry e na imprensa em Translational Psychiatry), mostrando que certos ácidos graxos previnem a conversão para a psicose, mas também a resposta às intervenções”, acrescentou Amminger.

Barbara A. Cornblatt, Ph.D., diretora do Recognition and Prevention Program (RAP) do Departamento de Psiquiatria do Zucker Hillside Hospital, em Glen Oaks, Nova Iorque, e investigadora do Centro de Neurociências de Psiquiatria no Feinstein Intitute for Medical Research, Manhasset, Nova Iorque, explica que “O trabalho de Amminger é inovador” e observa que “a redução dos sintomas e controle e prevenção da progressão para a psicose – que foi mantido em seu recente estudo por pelo menos 5 anos, é um achado realmente incrível”.

 

Eficácia de longo prazo – sub-análise

O trabalho atual de Amminger representa o acompanhamento de seu experimento inicial de 2010, com o objetivo de determinar a eficácia a longo prazo do ômega-3 na prevenção da psicose nos mesmos 81 indivíduos com alto risco. Destes, 54 (67%) pacientes eram do sexo feminino, e a média de idade no início do estudo foi de 16,4 anos. Os pesquisadores mantiveram a metodologia duplo-cego original do estudo o que significava que os participantes, parentes próximos e pessoas envolvidas na avaliação de resultados ou dados de entrada, durante o acompanhamento (longo prazo), não sabiam quem estava recebendo o ômega-3 e placebo. O desfecho primário foi a transição para o transtorno psicótico. Os desfechos secundários incluíram medidas funcional, sintomático e de formação profissional. A duração média do follow-up na amostra foi de 6,7 anos.

A taxa de transição para a psicose foi de 10% (4 de 41 pacientes) no grupo ômega 3 e 40% (16 dos 40 pacientes) no grupo placebo. Os tempos necessários para avançar para a psicose também foram significativamente diferentes entre os grupos de tratamento, com um tempo de progressão mais rápida para o grupo placebo, em comparação com o grupo omega-3. Os sintomas do funcionamento psicossocial e geral mostraram-se significativamente melhores no grupo ômega-3 em comparação com o grupo placebo (Avaliado com a escala GAS, Global Assessment Scale).

Os resultados foram semelhantes entre homens e mulheres como também entre as diferentes faixas etárias dos participantes do estudo. Trabalhos futuros dos autores, que ainda não foram publicados, sugerem que os pacientes deficientes em ácidos graxos específicos e com mais sintomas “negativos” na linha de base, são os que podem ser mais susceptíveis de se beneficiar com a suplementação de omega-3, independente da idade ou sexo.

Como Amminger explica: “Embora estes resultados sejam promissores, não é possível fazer recomendações sobre a eficácia do omega-3 na prevenção da transição para psicose até que os resultados sejam confirmados em dois ensaios de replicação. Estes ensaios foram concluídos no início deste ano e os resultados são esperados para estarem disponíveis no final de março de 2015”.

Um destes ensaios de confirmação (o estudo NEURAPRO-E), envolveu mais de 300 participantes em 10 locais na Austrália, Europa e Ásia. Os pesquisadores pretendem apresentar resultados do NEURAPRO-E no 15º International Congress on Schizophrenia Research, 28 de março a 1° de abril de 2015, em Colorado Springs, Colorado.

 

Segurança e tolerabilidade do ácido graxo ômega 3

Amminger descreve que os PUFAs de cadeia longa são essenciais para o desenvolvimento e função neural. Como componentes essenciais do tecido cerebral, o ômega 3 desempenha papel crítico no desenvolvimento e função do cérebro e sua falta tem sido implicada num número de condições de saúde mental durante a vida útil. Os ácidos graxos ômega-3 são encontrados naturalmente em altas concentrações no salmão, bem como em nozes.

“Eles têm propriedades anti-inflamatórias, são neuroprotetores e também influenciam a atividade da dopamina em regiões do cérebro que são relevantes para a esquizofrenia”, explicou Amminger.

“Mais importante, o ômega 3 é geralmente considerado benéfico à saúde e não tem efeitos adversos clinicamente relevantes, tornando-o um candidato ideal para a prevenção em pessoas jovens”, acrescentou Amminger.

Amminger acredita que os ácidos graxos ômega-3 possam potencialmente oferecer uma alternativa viável a longo prazo como medicamento antipsicótico. “A descoberta de que o tratamento com uma substância natural pode evitar, ou pelo menos atrasar, o início do transtorno psicótico dá esperança de haver alternativas às drogas antipsicóticas,” disse Amminger. “Preparações com óleo ômega 3 de peixes têm a vantagem de excelente tolerabilidade, aceitação pública, baixo custo e benefícios para a saúde em geral.”

Amminger argumenta ainda que a esquizofrenia é uma “importante causa de incapacidade e que a psiquiatria tradicional oferece pouco e tarde demais”. “Embora o tratamento precoce tem sido associado a melhores resultados, a intervenção precoce na psicose tem sido dificultada pelo fato de que os jovens muitas vezes não aceitam medicamentos convencionais, porque eles muitas vezes causam efeitos colaterais indesejados.”

“O ômega 3”, continua ele, “poderia oferecer uma estratégia de prevenção viável sem o estigma de longo prazo com risco associado mínimo em jovens de alto risco clínico de psicose.”

Cornblatt afirma que “Amminger introduz um tipo diferente de tratamento – tratamento este que por certo é seguro para todos. Nós temos agora uma medicação em potencial que é ótima para toda a população e isso representa mudança – de modo que é por isso que essas descobertas têm muito potencial e podem ter um forte impacto”.

 

Traduzido por Essentia Pharma

Autor:  Dr. Mercola

Fonte: http://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2014/12/04/omega-3-fish-oil.aspx?e_cid=20141204Z1_DNL_art_2&utm_source=dnl&utm_medium=email&utm_content=art2&utm_campaign=20141204Z1&et_cid=DM61567&et_rid=751516565

 

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