Com taxas de obesidade em ascensão em todo o mundo e com o consumo de açúcar em excesso considerado um contribuinte direto, o foco tem sido alcançar tratamentos para inverter a tendência. Agora, pela primeira vez, um estudo liderado pela Queensland University of Technology (QUT) pode ter a resposta.

 

A neurocientista e professora Selena Bartlett do Instituto de Saúde e Inovação Biomédica da QUT relatou que o estudo, que acaba de ser publicado pela revista internacional de pesquisa PLoS ONE, mostra que medicamentos usados para tratar a dependência da nicotina podem ser usados para tratar a dependência de açúcar em animais.

 

A publicação coincide com uma outra da mesma equipe – Prolonged Consumption of Sucrose in a Binge-Like Manner, Alters the Morphology of Medium Spiny Neurons in the Nucleus Accumbens Shell – publicada em Frontiers in Behavioral Neuroscience. Isso mostra que a ingestão de açúcar de maneira crônica pode causar transtornos alimentares e impacto sobre o comportamento.

 

“Os últimos dados da Organização Mundial de Saúde nos dizem que 1,9 bilhões de pessoas no mundo estão acima do peso, 600 milhões delas consideradas como obesas”, disse a professora Bartlett.

 

“Foi comprovado que o consumo de açúcar em excesso contribui diretamente para o ganho de peso, como também eleva repetidamente os níveis de dopamina que controlam centros de recompensa e prazer do cérebro de uma maneira semelhante a muitas drogas, incluindo o tabaco, a cocaína e morfina.

 

“Após consumo em longo prazo, isso leva a um oposto, uma redução nos níveis de dopamina. Assim, levando a um maior consumo de açúcar para se obter o mesmo nível de recompensa.

 

“Também descobrimos que, assim como um aumento do risco de ganho de peso, animais que mantêm elevado o consumo de açúcar e a compulsão alimentar na vida adulta também podem enfrentar consequências neurológicas e psiquiátricas que afetam o humor e a motivação.

 

“Nosso estudo descobriu que medicamentos aprovados pela agência Food and Drug Administration (FDA) como vareniclina, um medicamento sob prescrição vendido como Champix que trata a dependência da nicotina, pode trabalhar da mesma forma em relação ao vício (ânsia) de açúcar.”

 

O pesquisador Masroor Shariff, PhD, disse que o estudo também coloca os adoçantes artificiais sob os holofotes:

 

“Curiosamente, o nosso estudo também descobriu que os adoçantes artificiais, tais como a sacarina, podem produzir efeitos semelhantes aos do açúcar de mesa, destacando a importância de reavaliar nossa relação com os alimentos adoçados per se”.

 

A professora Bartlett afirmou que a vareniclina agiu como uma moduladora do receptor nicotínico neuronal (nAChR) e resultados semelhantes foram observados com outros medicamentos como a mecamilamina. “Como ocorre com outras drogas, a retirada da exposição crônica à sacarose pode resultar em um desequilíbrio nos níveis de dopamina e ser tão difícil quanto”, disse ela. “Mais estudos são necessários, mas nossos resultados sugerem que os atuais medicamentos nAChR aprovados pela FDA podem representar uma nova estratégia de tratamento para combater a epidemia de obesidade.”

 

QUT é parte de um grupo colaborativo nacional de cinco grandes universidades australianas que formam a ATN (Australian Technology Network of Universities).

 

Fonte: https://www.qut.edu.au/news/news?news-id=103307

 

“As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para o profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da Essentia.”