A ectoína é uma substância que vem sendo discutida em estudos quando o assunto é defender barreiras naturais, como a pele, as mucosas do trato respiratório superior e a superfície dos olhos, contra os desafios do dia a dia, como ressecamento, irritação e estressores ambientais.
Mas o que isso significa na prática? Neste conteúdo, você vai entender o que é a ectoína, de onde ela vem, como atua e por que tem sido explorada em formulações voltadas a manter a hidratação e a estabilidade onde o corpo mais precisa de proteção. Confira!
O que é a ectoína?
A ectoína é uma molécula produzida por microrganismos que vivem em ambientes extremos. Isso quer dizer que ela é pequena e com uma estrutura em formato de círculo que lembra alguns compostos naturais presentes no organismo.
Foi identificada pela primeira vez em uma bactéria halófila específica chamada Ectothiorhodospira halochloris, adaptada a ambientes com alta salinidade. Posteriormente, se mostrou presente em outras bactérias diversas que também surgem em resposta à alta salinidade.
Segundo estudos, a ectoína é um soluto compatível, isso é, uma substância que a célula pode acumular internamente para enfrentar condições ambientais que ameaçam seu equilíbrio, como alta salinidade, calor e radiação, sendo associada à proteção de extremófilos, microrganismos que vivem em ambientes hostis.
Nessas condições, ajuda a manter a hidratação celular adequada e favorece a estabilidade de proteínas e outras macromoléculas, contribuindo para que o organismo funcione mesmo sob situações estressantes.
Como a ectoína atua?
A ectoína atua principalmente modulando a água ao redor das estruturas celulares, criando uma camada protetora ao redor das células. Por se ligar fortemente à água, pode ajudar na hidratação das células em situações de estresse osmótico, como quando o ambiente celular está muito salgado, por exemplo, e a água tende a sair da célula para tentar equilibrar essa diferença.
Sua afinidade pela água auxilia na criação de uma camada aquosa ao redor das estruturas biológicas, contribuindo para a estabilidade de macromoléculas e células e preservando suas funções.
Principais achados científicos sobre a ectoína
Entenda a seguir o que estudos científicos dizem sobre os efeitos da ectoína no organismo:
Proteção da pele
A ciência descreve a ectoína como uma molécula capaz de contribuir para a proteção da pele frente a estressores físicos e ambientais, sendo usada como ativo em produtos de cuidado com a pele.
Em um pequeno estudo clínico com aplicação tópica de uma emulsão de ectoína em voluntários, foi percebida uma melhora da barreira cutânea, avaliada pela redução da perda de água pela pele inclusive após sofrer com estressores. Depois de uma semana, o ativo ajudou a proteger contra a desidratação e a manter a hidratação da pele mesmo horas após a aplicação.
Ainda no mesmo estudo científico, a ectoína foi relacionada a um efeito protetor em situações em que a pele tende a perder água mais facilmente, como durante o uso de produtos químicos que podem ressecar a pele, reduzindo a perda de água e dando suporte à hidratação da pele.
Além disso, um ensaio clínico constatou que um creme contendo ectoína apresentou boa tolerância e eficácia nos sintomas do tratamento da dermatite atópica leve a moderada, em que a pele também apresenta sinais de ressecamento.
Foi evidenciado em estudos em fibroblastos que a ectoína pode ter ação antioxidante e auxiliar na proteção contra os efeitos causados pelos raios UVB, reduzindo os processos inflamatórios decorrentes da radiação, como o fotoenvelhecimento e a hiperpigmentação.
Efeitos no trato respiratório
As evidências mostram que, quando incorporada em spray nasal, a ectoína pode atuar no trato respiratório superior, especialmente nariz e laringe, auxiliando na redução da irritação e de processos inflamatórios causados por agentes externos, como ácaro, poeira e mofo.
Devido a sua afinidade hídrica, esse ativo interage com a água dos tecidos, favorecendo a formação de uma camada de hidratação ao redor das estruturas biológicas e reforçando a função da barreira da mucosa.
Na prática, essa barreira mais estável auxilia na diminuição do contato entre os alérgenos e a membrana, o que pode evitar o início de alergias no trato respiratório e, por consequência, reduzir o desenvolvimento de inflamações.
Contribuição para a saúde ocular
Devido às suas características, a ectoína também pode atuar na saúde ocular através da sua interação com a água e do efeito resultante sobre as membranas dos tecidos tratados. Um estudo investigou a eficácia desse ativo associado ao ácido hialurônico aliado em uma terapia padrão na estabilização do filme lacrimal e no tratamento da síndrome do olho seco resultante da cirurgia de catarata. O trabalho relata que o grupo que utilizou o colírio com ectoína apresentou melhor estabilidade lacrimal e maior conforto pós-cirúrgico do que aqueles que usaram apenas o tratamento padrão.
Os autores levantaram ainda a hipótese de que a presença da ectoína pode potencializar os efeitos do ácido hialurônico, além dos seus efeitos anti-inflamatórios, que contribuem para a redução de citocinas inflamatórias e para a restauração do equilíbrio osmótico da superfície ocular.
Onde a ectoína é encontrada?
A ectoína é uma molécula encontrada em organismos extremófilos, isso é, que vivem em ambientes extremos e hostis, como algumas bactérias. Sendo assim, ela não é encontrada em plantas ou alimentos comuns, não sendo possível ingeri-la por meio da alimentação.
Ectoína em produtos
A ectoína geralmente é usada como componente de formulações de uso tópico e de aplicação local em mucosas, lembrando que seu uso e indicação devem ser avaliados por um profissional de saúde.
Para uso tópico na pele, é considerada um ativo popular na produção de cosméticos. Também pode ser encontrada em produtos para o trato respiratório superior, como spray nasal.
Além disso, quando se trata da saúde ocular, a ectoína também pode ser encontrada em colírios, como substitutos lacrimais. Siga no blog e confira também um conteúdo que explica como cuidar da visão e quais os principais hábitos e nutrientes que podem ser essenciais para a saúde ocular.





