A monolaurina tem se tornado foco em estudos graças ao crescente interesse por substâncias com potencial antimicrobiano, com propriedades antifúngicas e que podem auxiliar no equilíbrio inflamatório, além de dar suporte ao sistema imunológico.
Investigada em diferentes frentes, saiba o que a ciência destaca sobre a monolaurina e onde essa substância pode ser encontrada. Continue a leitura!
O que é a monolaurina?
A monolaurina, também chamada de glicerol monolaurato (GML), é um tipo de gordura, um monoglicerídeo derivado do ácido láurico, um ácido graxo que é encontrado no óleo de coco.
A substância passou a ser tema de estudos in vitro e in vivo, que exploraram possíveis interações com microrganismos e seu potencial de suporte ao sistema imunológico.
Onde a monolaurina é encontrada?
A monolaurina pode ser encontrada em fluidos biológicos e em alimentos, sendo formada no organismo a partir da digestão de gorduras.
O óleo de coco, fonte de ácido láurico, atua como a matéria-prima que posteriormente é transformada em monolaurina através da sua conversão no organismo, formada quando o ácido láurico se liga ao glicerol.
Vale ressaltar que fontes de ácido láurico não são automaticamente fontes de monolaurina na mesma proporção, pois é necessária a conversão pelo organismo.
Ainda, um estudo analítico evidenciou que o glicerol monolaurato pode ser encontrado no leite materno humano e que também foi detectado no leite bovino. Nesse último, em concentrações menores, variando conforme o método de análise.
O que os estudos dizem sobre a monolaurina?
Cabe mencionar que as evidências sobre os efeitos da monolaurina são experimentais e podem variar conforme dose, formulação e modelo estudado (em laboratório, com animais, etc). Mesmo que ainda sejam necessárias mais pesquisas em humanos, alguns estudos sugerem possíveis efeitos, entre os principais estão:
Interações com microrganismos
Há estudos que sugerem que a monolaurina pode ajudar a combater microrganismos, como bactérias. Isso acontece porque ela tem afinidade com gorduras. Como a membrana de muitos microrganismos é rica em lipídios, a monolaurina consegue se ligar a ela, desorganizando a estrutura e fazendo com que perca sua integridade. Quando isso acontece, o microrganismo deixa de funcionar corretamente e pode levar à morte bacteriana.
Em uma análise experimental in vitro, foi avaliada sua ação contra uma bactéria específica, a Staphylococcus aureus. Os autores observaram alterações em seu formato e sinais de dano em sua estrutura externa, sugerindo que tornou-se mais vulnerável e com menores chances de sobrevivência.
Combinada com antibióticos
Em contextos específicos em laboratório, também foi avaliada a ação do glicerol monolaurato em combinação com antibióticos, sugerindo que pode potencializar a atuação contra algumas bactérias.
Os pesquisadores testaram a substância combinada com antibióticos β-lactâmicos, que inibem a formação da parede celular das bactérias, e relataram que foi preciso menos antibiótico para reduzir o crescimento bacteriano no ensaio.
Além disso, um estudo in vitro com camundongos observou que, em altas doses, a monolaurina aumentou a microbiota sem desregular o metabolismo, nem causar inflamações no organismo.
Propriedades antifúngicas
Estudos realizados em modelos in vitro e in vivo analisaram a atividade antifúngica do glicerol monolaurato.
Nos testes in vitro, quando usado em concentrações mais altas, ele mostrou capacidade de agir contra diferentes tipos do fungo Candida albicans e foi evidenciada uma redução na quantidade de fungos em biofilmes, estrutura protetora que torna os microrganismos mais resistentes ao ambiente.
Em humanos, análises laboratoriais realizadas em mulheres mostraram a ação do glicerol monolaurato contra Candida e Gardnerella vaginalis em certas concentrações. A substância foi inserida em um gel intravaginal e após 2 dias foi observada diminuição no crescimento dos microrganismos.
Suporte ao sistema imunológico
A monolaurina, segundo evidências, pode influenciar respostas de defesa do organismo, como o controle de inflamação, auxiliando assim o sistema imunológico.
O leite materno, por exemplo, tem em sua composição elementos que auxiliam na proteção do bebê, e uma revisão de 2020 citou um estudo que avaliou o papel do glicerol monolaurato no leite materno humano. Os autores observaram que a substância pode contribuir para a atividade anti-inflamatória do leite.
Ainda, estudos in vitro e in vivo evidenciaram a relação da substância no controle de citocinas pró-inflamatórias e na modulação de respostas imunes, auxiliando na defesa do corpo.
A monolaurina é segura?
A monolaurina é um monoglicerídeo e por isso se enquadra na categoria “mono- e diglicerídeos” reconhecida pelo Food and Drug Administration (FDA) dos EUA como genericamente segura para uso em alimentos e suplementos. Apesar de ser bem tolerada pela maioria das pessoas, ainda assim, pode haver contraindicações.
Por isso, e por cada caso ser individual, é de extrema importância consultar um profissional da saúde para receber recomendações corretas e se há necessidade de seu uso.
Os estudos clínicos sobre a monolaurina ainda estão em desenvolvimento e evidências ainda surgem sobre a substância. Acesse a categoria ativos e nutrientes em nosso blog e fique por dentro das descobertas da ciência a respeito de diferentes substâncias.





