Segundo uma pesquisa revisada por pares, recentemente publicada no jornal científico internacional Maturitas, a suplementação de vitaminas do complexo B melhora os sintomas de depressão. Além disso, as vitaminas desempenham um papel na regulação das respostas imunes, e desde que em pacientes com depressão são observadas respostas pró-inflamatórias, foi encontrada uma relação interligada entre a vitamina B, o sistema imune, a inflamação e a depressão.

 

O complexo B (B1, B2, B3, B5, B6, B9, B12) é essencial para o equilíbrio saudável dos sistemas imune e nervoso (produção de neurotransmissores). A sua deficiência tem sido associada a vários distúrbios neurológicos, incluindo depressão, ansiedade, demência e doença de Alzheimer. Há interações intrincadas entre o sistema nervoso e o sistema imune, e está ficando cada vez mais claro que o último tem um papel importante na patogênese dos transtornos da saúde mental.

 

Uma percentagem considerável da população mundial consome menos do que a dose diária recomendada de vitamina B, sendo que mesmo deficiências marginais podem levar a doenças crônicas. Elas são necessárias para o bom funcionamento do ciclo de metilação, produção de monoamina oxidase, síntese de DNA, reparação e manutenção de fosfolipídios, como a mielina. Quando reduzida, a metilação contribui para condições crônicas, incluindo a doença de Alzheimer, distúrbios do humor e psiquiátrico e condições neurológicas adultas.

 

A pesquisa de revisão da literatura incluiu estudos randomizados e controlados por placebo, bem como meta-análises, executados entre os anos de 2008 a 2016. Foi analisado 8 tipos de vitamina B:

– Vitamina B1 (tiamina)

– Vitamina B2 (riboflavina)

– Vitamina B3 (niacina)

– Vitamina B5 (ácido pantotênico)

– Vitamina B6 (piridoxina)

– Vitamina B7 (biotina)

– Vitamina B9 (folato)

– Vitamina B12 (cobalamina)

 

Entre os achados, em particular, as vitaminas B1, B3, B6 e B12 se mostraram essenciais para a função neuronal e suas deficiências se mostraram relacionadas à depressão.

 

Vários estudos clínicos conduzidos com a suplementação de tiamina (B1), comparados com placebo, encontraram melhoras nos sintomas de depressão. Estudos executados com a suplementação de piridoxina (B6) mostraram resultados de redução de homocisteína nos níveis de sangue plasmáticos – um indicador de desordem de neuropsiquiatria – em pacientes com esquizofrenia. Sobre a niacina (B3), estudos futuros são necessários para solidificar a evidência observada: uma associação de baixos níveis de niacina com a depressão. Já a deficiência de cobalamina (B12) foi frequentemente observada em pacientes com depressão, e a elevação de seus níveis correlacionam-se com melhores resultados de tratamento. Interessantemente, os baixos níveis de cobalamina são concomitantes com sintomas depressivos melancólicos, mas não com sintomas depressivos não melancólicos.

 

Adicionalmente, os pesquisadores acharam evidência que as vitaminas B são importantes para a regulação das respostas imunes. A via imune (citocinas) tem uma poderosa influência sobre o cérebro, e, em pacientes com depressão, são observadas respostas pró-inflamatórias. “Portanto, existe uma relação interligada entre a vitamina B, o sistema imune, a inflamação e a depressão”, concluíram os pesquisadores.

 

 

Referência: Mikkelsen K, et al. The effects of vitamin B on the imune/cytokine network and their involvement in depression. Maturitas. 2017. DOI:10.1016/j.maturitas.2016.11.012

 

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