Uma meta-análise é uma metodologia estatística que agrega resultados de estudos independentes sobre uma mesma questão de pesquisa – ou seja, uma análise sobre outras análises. Esta metodologia é valiosa, pois leva a uma mudança da ênfase de estudos únicos para estudos múltiplos, enfatizando a importância prática do tamanho do efeito em vez da importância estatística dos estudos individuais. No caso do chá verde, objeto deste artigo, desde que já haviam sido realizados vários estudos independentes sobre a sua associação, e de seus constituintes – em especial, o fitonutriente da família dos polifenois, EGCG (epigalatocatequina-3-galato) –, à saúde óssea, cientistas chineses acabam de publicar a primeira meta-análise sobre a questão da osteoporose em Nutrition Research.

 

Dezesseis estudos foram incluídos na análise, totalizando dados de 138.523 pessoas. Sete estudos referentes à densidade mineral óssea (DMO) mostraram um aumento com o consumo de chá, incluindo 4 estudos de coorte transversal (OR, 0,04, intervalo de confiança de 95% [IC], 0,01-0,08) e 3 estudos de coorte (OR, 0,01; 95% CI, 0,01-0,01). Os outros 9 estudos referentes à fratura, incluindo 6 estudos caso-controle e 3 estudos de coorte, não mostraram associação entre o consumo de chá e a fratura osteoporótica (OR, 0,86; IC95%, 0,74-1,01). Portanto, a conclusão desta meta-análise afirma que o consumo de chá verde pode aumentar a DMO, prevenindo contra a osteoporose, mas que é necessário mais investigação em relação à fratura osteoporótica.

 

Por que o chá verde e não o preto, por exemplo? Ambos os chás se originam das folhas da mesma planta, a Camellia sinensis, as quais são colhidas da mesma maneira e contêm quantidades semelhantes de flavonoides, estando a diferença no seu processamento – que causa a mudança de cor e estrutura química. Os quatro polifenois principais das folhas frescas do chá são EGCG, EGC, ECT e EC. O processamento do chá preto torna suas folhas fortemente oxidadas, convertendo a maioria de suas catequinas em compostos de oxidase, mais notavelmente teaflavinas e tearubiginas (também estudadas para seus possíveis benefícios). Já no caso do chá verde, o seu processamento evita que as folhas se oxidem (mínimo de oxidação), assegurando que elas permaneçam mais próximas do seu estado pré-colheita, mantendo suas catequinas (30 a 40% de flavonoides simples).

 

Traduzido por Essentia Pharma

Estudo:

Guo M, et al. Tea consumption may decrease the risk of osteoporosis: an updated meta-analysis of observational studies. Nutrition Research, 2017. DOI:10.1016/j.nutres.2017.02.010

 

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