Um estudo clínico publicado em Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism mostrou que o (polifenol) resveratrol pode reduzir significantemente a testosterona sérica total e o sulfato de dehidroepiandrosterona (sigla em inglês, DHEAS) – hormônio que o corpo pode converter em testosterona –, em mulheres com Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

 

Com propriedades anti-inflamatórias, o resveratrol é naturalmente produzido em várias plantas em resposta a danos ou sob ataque de patogênicos como bactérias ou fungos, e pode ser encontrado, por exemplo, em cascas de uvas, mirtilos, oleaginosas e folhas de senna (leguminosa da família Fabaceae).

 

Mulheres com SOP produzem quantidades mais altas de testosterona e outros hormônios andrógenos que a média. Estes níveis elevados podem contribuir para períodos menstruais irregulares ou ausentes, infertilidade, ganho de peso, acne ou excesso de cabelo na face e no corpo.

 

O estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo analisou os efeitos do resveratrol durante um período de 3 meses em um hospital acadêmico polonês, Poznan University of Medical Sciences. Das 34 mulheres com SOP que se inscreveram, 30 completaram o experimento no qual foram divididas aleatoriamente em 2 grupos: grupo resveratrol (1500mg/dia) e grupo placebo. No início e fim da execução do estudo, as participantes tiveram amostras de sangue coletadas para determinar seus níveis de hormônios andrógenos, e foi testada a tolerância oral à glicose para medir fatores de risco de diabetes.

 

O resultado principal foi a redução significante da testosterona total em 23,1% (P=.01) no grupo resveratrol, em comparação com o grupo placebo que apresentou aumento de 2,9%. Em paralelo, este mesmo grupo apresentou redução de 22,2% em seus níveis de DHEAS (P=.01), em comparação com o grupo placebo que apresentou aumento de 10,5%. Adicionalmente, o grupo resveratrol apresentou redução dos fatores de risco para diabetes: nível de insulina de jejum em 31,8% (P=.007), e um aumento do índice de sensibilidade à insulina (descrito por Matsuda e DeFronzo) em 66,3% (P=.04). Os níveis de gonadotrofinas, perfil lipídico, marcadores de inflamação e função endotelial não sofreram significantes alterações.

 

O autor sênior do estudo, Antoni J. Duleba, da Universidade da Califórnia, La Jolla, San Diego, conclui que, “As descobertas sugerem que o resveratrol pode melhorar a capacidade do corpo de usar insulina e potencialmente diminuir o risco de desenvolver diabetes. O suplemento pode ser capaz de ajudar a reduzir o risco de problemas metabólicos comuns em mulheres com SOP”.

 

Estudo: Beata Banaszewska, et al. Effects of Resveratrol on Polycystic Ovary Syndrome: A Double-blind, Randomized, Placebo-controlled Trial. JCEM, 2016. DOI: 10.1210/jc.2016-1858

 

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