Cuidar da saúde do trato urinário é fundamental para prevenir desconfortos. Quando a infecção urinária surge, o tratamento adequado e a adoção de alguns hábitos no dia a dia fazem toda a diferença para a completa recuperação e a redução de novos episódios.
A infecção urinária é uma condição comum e estima-se que pode afetar mais de 150 milhões de pessoas mundialmente, e de maneira recorrente, especialmente as mulheres.
Continue a leitura para entender o que é infecção urinária, como ocorre, suas principais causas e sintomas, assim como tratamentos recomendados por médicos e possíveis aliados naturais. Confira!
A infecção do trato urinário (ITU) é uma inflamação causada por bactérias que pode atingir desde a uretra até os rins. Essas infecções geralmente são causadas pela colonização de bactérias como a Escherichia coli, que faz parte do trato gastrointestinal e que pode migrar para a bexiga através da uretra.
Ainda, a infecção urinária pode abranger condições patológicas que afetam diferentes partes do trato urinário:
Apesar de não serem a mesma coisa, a cistite e a infecção urinária estão diretamente relacionadas. A infecção urinária é um termo amplo que descreve qualquer infecção do sistema urinário.
Já a cistite é um tipo específico de infecção urinária que afeta somente a bexiga, sendo a forma mais comum, principalmente em mulheres. Ou seja, toda cistite é uma infecção urinária, mas nem toda infecção urinária é uma cistite.
Os sintomas mais comuns da infecção urinária são:
A infecção urinária se desenvolve a partir da adesão de alguns tipos de bactérias que sobem ao trato urinário. Isso acontece pois elas possuem fímbrias, espécie de “braços” que se agarram às paredes da uretra.
As fímbrias, por sua vez, produzem um tipo de “cola” chamada de adesina, que fortalece essa adesão, possibilitando que as bactérias se multipliquem e produzam toxinas que causam danos às células dos tecidos.

São muitos os fatores de risco que podem levar à proliferação de bactérias na região íntima e, consequentemente, aumentar as chances para o desenvolvimento da infecção urinária:
Alguns grupos estão mais propensos a desenvolver a infecção urinária. Crianças pequenas com anormalidades estruturais no trato urinário, por exemplo, podem estar mais sensíveis devido ao fluxo urinário desordenado e à introdução de bactérias para a bexiga.
Já os idosos podem estar sujeitos devido à incontinência urinária e ao uso de fraldas ou absorventes, questões que podem ser habituais nessa fase da vida. Por fim, as mulheres fazem parte do grupo de risco mais comum. Entenda o motivo:
Estima-se que 50% a 60% das mulheres terão infecção urinária pelo menos uma vez na vida, e as taxas de recorrência são altas. Para entender por que o quadro é tão comum nesse grupo, a resposta está na anatomia feminina. A uretra da mulher é mais curta e próxima ao ânus, diferente da masculina, o que facilita o acesso das bactérias à bexiga, favorecendo assim o desenvolvimento das ITUs.
A infecção urinária e a incontinência urinária estão frequentemente associadas e uma pode influenciar a outra. Dentre os grupos especialmente suscetíveis estão idosos, pessoas com alterações no funcionamento da bexiga ou com doenças neurológicas, e mulheres com o assoalho pélvico enfraquecido e que, por isso, não conseguem manter a uretra fechada adequadamente.
De acordo com estudos, a infecção urinária pode ser considerada um dos fatores para episódios de perda de urina. Isso ocorre porque durante quadros de ITU, a bexiga pode ficar mais sensível e inflamada, o que leva à urgência para urinar e dificuldade de controlar a micção.
Por outro lado, a incontinência urinária pode favorecer o desenvolvimento de ITUs devido a diferentes fatores que aumentam a proliferação de bactérias, como contato direto com escapes de urina, maior umidade na região íntima, uso de absorventes ou fraldas e dificuldade em manter uma higiene adequada.
Algumas medidas podem ser adotadas para reduzir o risco de infecção urinária em pessoas com incontinência, como manter uma boa higiene íntima, realizar fisioterapia pélvica e trocar absorventes/fraldas com maior frequência.
Mulheres sexualmente ativas podem desenvolver infecção urinária com maior frequência, principalmente após a relação sexual. A cistite pós-coito, também conhecida como cistite de lua de mel, acontece devido à movimentação de bactérias da região íntima, principalmente da região anal, que podem ser levadas para a uretra durante o ato sexual.
Os episódios podem se tornar recorrentes e estarem relacionados à frequência de atividade sexual e intensidade das mesmas, pois a fricção intensa pode causar microfissuras na região, favorecendo a entrada de bactérias.
Por isso, é recomendável manter a higiene adequada e sempre urinar após a relação, o que pode ajudar a expulsar as bactérias do trato urinário e diminuir as chances de infecção.
O diagnóstico de infecção urinária pode ser clínico, feito por um médico com base nos sintomas típicos que o paciente apresenta, e laboratorial, através da análise da urina (urocultura ou urinálise).
As opções de tratamento para a infecção urinária variam conforme o tipo de bactéria ou de infecção diagnosticada pelo médico, e, por isso, podem ser direcionados para o uso de antibióticos e/ou outros tipos de medicamentos.
O uso de antibióticos geralmente é o mais comum e recomendado pelos médicos para tratar a infecção urinária. Esses medicamentos atuam eliminando as bactérias e são escolhidos de acordo com o tipo de microrganismo, gravidade do quadro e histórico do paciente.
É importante ressaltar que o uso de antibióticos só pode ser feito mediante prescrição médica.
O médico também pode indicar medicamentos voltados para o alívio dos sintomas, como analgésicos e antiespasmódicos, que ajudam a reduzir a dor, a ardência ao urinar e o desconforto abdominal. Ainda, também podem ser utilizados medicamentos que atuam diretamente no trato urinário, contribuindo para diminuir a irritação local.
Esses medicamentos não tratam a causa da infecção, mas podem proporcionar conforto durante o tratamento com antibióticos. Vale ressaltar que o uso de qualquer medicamento deve ser feito com orientação médica, especialmente para garantir que os sintomas não mascarem a gravidade do quadro.
Em casos de infecções urinárias recorrentes, o médico pode indicar medidas de prevenção que podem incluir mudanças no estilo de vida, como o aumento da ingestão de água e a higiene adequada. Ou ainda, pode ser indicada a profilaxia antimicrobiana, isso é, a administração de antibióticos em doses baixas por um período de tempo mais longo, como uma maneira de prevenção.
Existem algumas opções naturais que, segundo estudos, podem auxiliar na prevenção ou atuar como um complemento, sem substituir o tratamento indicado pelo médico.
Ainda, vale destacar que é muito importante seguir as recomendações médicas até o final do tratamento e não suspendê-lo por conta própria, mesmo que sejam observadas melhoras significativas, a fim de garantir a erradicação total da infecção e diminuir as chances de recidivas.
Alguns estudos sugerem que o consumo de cranberry, seja na forma de suco, extrato ou cápsulas, pode ajudar a proteger contra a infecção urinária. Os resultados de um estudo do tipo meta-análise demonstraram que grupos com maior risco (mulheres com ITU recorrente, crianças e pacientes que utilizam cateteres) tiveram uma redução de 30% na possibilidade de desenvolver a doença ao consumir produtos com cranberry.
A ação do cranberry está ligada à interferência na adesão bacteriana no trato urinário, impedindo que as fímbrias da bactéria E. coli se liguem aos receptores das células da bexiga, atuando com uma resposta antiadesiva. Desse modo, se as bactérias não conseguem aderir às células, elas também não crescem e não causam infecção.
Produzida pelo nosso organismo, a D-manose também tem ação direta nas fímbrias das bactérias, fazendo ligações para que elas não consigam aderir à superfície do trato urinário e sejam expulsas da bexiga através da urina, agindo como uma cola ou ímã que atrai as bactérias e não permite que fiquem grudadas.
Um estudo comparou a eficácia na prevenção de ITU recorrente entre o tratamento com antibiótico, a suplementação com pó de D-manose ou a utilização de placebo em mais de 300 mulheres com histórico de ITU recorrente. Após 6 meses de tratamento, das 103 mulheres que receberam D-manose, apenas 15 apresentaram infecção recorrente, e a suplementação foi tão eficaz na prevenção quanto o medicamento.
O alho (Allium sativum) é conhecido por seus efeitos no tratamento de infecções bacterianas. Um estudo feito com células verificou que o extrato de alho inibiu o crescimento de bactérias como a E. coli, sugerindo possível atuação como uma opção natural adjuvante, além do tratamento convencional.
O uso de probióticos como uma maneira de prevenção da infecção urinária recorrente pode apresentar efeitos interessantes. Um estudo feito com mulheres verificou que, em comparação ao tratamento antibiótico + placebo, a suplementação de antibiótico + probióticos diminuiu significativamente a recorrência de ITU, com 75% delas permanecendo livres do quadro (em comparação a 33% no grupo placebo).
De acordo com os pesquisadores, a combinação de probióticos com antibióticos poderia criar um efeito sinérgico, aumentando a eficácia geral do tratamento. Para indivíduos propensos a infecções recorrentes, a terapia probiótica adjuvante poderia modular a microbiota da região urogenital e reforçar a função da barreira da mucosa, diminuindo as chances de bactérias patogênicas se proliferarem.
É comum ouvir falar que alguns tipos de chá podem ser consumidos para auxiliar no alívio da infecção urinária. Mas o que de fato dizem os estudos?
Estudos clínicos sugerem que a suplementação de cápsulas de chá verde pode atuar como um complemento ao tratamento convencional, ajudando a reduzir os sintomas, a presença de bactérias e sinais de inflamação, quando associado ao uso de antibióticos. Segundo os autores, esse chá pode impulsionar os efeitos do antibiótico devido às suas substâncias antimicrobianas contra E. coli.
Ainda, estudos que avaliaram a suplementação de cápsulas contendo extratos secos de raízes de outras ervas e chás, como erva-de-ouro e chá de Java, demonstraram melhorar de maneira geral os sintomas clínicos de ITU, em comparação com o placebo, como a disúria, caracterizada pela dor, queimação e desconforto ao urinar.
O consumo de chás em si (a bebida) não parece ter evidências científicas até o momento, mas o aumento do consumo hídrico para evitar a recorrência da infecção, bem como para auxiliar no tratamento, pode ajudar – e os chás são uma opção. Além disso, também pode ser uma boa estratégia para quem tem dificuldade em ingerir água.
A seguir, confira alguns hábitos fáceis de incluir na rotina que auxiliam a manter a saúde do trato urinário em dia:
Agora que você já sabe tudo sobre infecção urinária, que tal continuar bem informado sobre saúde, longevidade e bem-estar? Assine a nossa newsletter e receba os principais conteúdos sobre o assunto.
A cistite, infecção localizada na bexiga, é considerada mais leve e geralmente tratada com antibióticos por poucos dias. Já a pielonefrite, infecção localizada nos rins, pode exigir um tratamento mais longo e, em alguns casos, pode ser necessário recorrer à internação hospitalar.
Não é comum que isso aconteça. Inclusive, sem tratamento a infecção pode piorar: o que inicia com uma cistite, por exemplo, pode evoluir para algo mais sério como uma pielonefrite. Por isso, é importante sempre buscar orientação médica.
Sim, ajuda a eliminar as bactérias pela urina, porém é uma medida de prevenção e de tratamento auxiliar, não substituindo o tratamento indicado pelo médico.
Na maioria dos casos, sim, especialmente quando há confirmação de infecção bacteriana. O uso depende da avaliação médica, que indicará o tratamento adequado para cada caso.
Devido a anatomia feminina, em que a uretra é mais curta e próxima ao ânus, facilitando a entrada de bactérias da região anal no trato urinário.
Sim, é comum pois a relação sexual pode facilitar a passagem de bactérias da região anal para a região da uretra, aumentando o risco de infecção. Para minimizar as chances, é importante realizar higiene íntima antes e após, bem como urinar imediatamente após o ato.
É importante investigar a causa com um médico e adotar medidas de prevenção, como hidratação e higiene adequada. Em alguns casos, tratamento medicamentoso de longo prazo também pode ser recomendado pelo médico, a depender de cada caso.
Sim, os sintomas e riscos variam entre os grupos, por isso o diagnóstico e o tratamento devem ser individualizados. Gestantes apresentam maior risco de complicações, mesmo sem sintomas; idosos podem ter sintomas atípicos, como confusão mental; mulheres são as mais afetadas e costumam ter quadros mais simples, como cistite; homens raramente são acometidos; crianças podem apresentar sintomas genéricos, como febre e irritação.
Newsletter + Guia sobre resiliência
Assine a newsletter e receba o e-book “Guia sobre resiliência: a relação com o estresse e dicas práticas”. Exclusivo para assinantes.
Quero assinar
Olá!
Como podemos ajudar você?