A inflamação faz parte dos mecanismos naturais de defesa do organismo e é essencial na proteção contra infecções e na recuperação de lesões. No entanto, quando essa resposta deixa de ser temporária e passa a ocorrer de forma persistente, ainda que de maneira silenciosa, pode comprometer o equilíbrio do corpo ao longo do tempo.
Nos últimos anos, a ciência tem dedicado cada vez mais atenção à inflamação crônica, por sua associação com diversas condições de saúde e com os processos relacionados ao envelhecimento.
A boa notícia é que compreender esse mecanismo e adotar hábitos que favoreçam o equilíbrio do organismo pode contribuir para a promoção da saúde, da qualidade de vida e da longevidade. Neste conteúdo, você entenderá o que é a inflamação crônica, quais são as principais causas e como prevenir ou controlar.
O que é inflamação e qual o seu papel no organismo?
A inflamação é uma resposta natural de defesa do organismo diante de infecções, lesões ou outros danos aos tecidos. Longe de ser um mecanismo prejudicial, esse processo é essencial na proteção do corpo, ajudando a combater agentes agressores e a iniciar o reparo das áreas afetadas.
Quando ocorre de forma adequada, a resposta inflamatória é temporária e controlada. Após eliminar a causa da agressão, o organismo reduz os sinais inflamatórios, remove células danificadas e recupera a estrutura e a função dos tecidos. Ou seja, a inflamação faz parte de um processo fisiológico indispensável para a manutenção da saúde.
Como acontece a resposta inflamatória?
A resposta inflamatória começa quando o sistema imunológico identifica sinais de infecção, lesão ou outra ameaça ao organismo. Rapidamente, células de defesa, como os neutrófilos e os macrófagos, são recrutadas para o local afetado, onde atuam na eliminação de microrganismos, células lesionadas e outros agentes nocivos.
Essas células também liberam substâncias que coordenam a inflamação, como as citocinas, e atraem novas células de defesa.
Depois que a ameaça é controlada, entram em ação moléculas responsáveis por promover a resolução da inflamação, reduzindo os sinais inflamatórios, removendo resíduos celulares e favorecendo o reparo dos tecidos.
Qual a diferença entre inflamação aguda e inflamação crônica?
A principal diferença entre a inflamação aguda e a inflamação crônica está na duração e na forma como o organismo se manifesta.
A inflamação aguda é caracterizada como uma resposta rápida e de curta duração, que ocorre logo após a exposição a um agente agressor (vírus, bactérias, lesão, etc.). Nesse processo, o sistema imunológico atua para eliminar a causa do problema e, em seguida, inicia a fase de resolução, fazendo com que o organismo volte ao seu funcionamento normal.
Já a inflamação crônica acontece quando esse processo não é resolvido de forma adequada ou quando o organismo permanece exposto continuamente a fatores que estimulam uma resposta inflamatória. Ao contrário da aguda, que acontece de forma natural e é necessária, a inflamação crônica pode ser prejudicial e favorecer o surgimento de outras condições de saúde. Maus hábitos como tabagismo, alimentação rica em calorias, açúcar e gordura, sedentarismo e o consumo excessivo de álcool, por exemplo, além de infecções persistentes e exposição a alguns poluentes, podem favorecer esse quadro.

O que é a inflamação crônica de baixo grau?
A inflamação crônica de baixo grau é um estado em que o organismo mantém uma resposta inflamatória contínua, porém em intensidade reduzida. Por isso, ela também é conhecida como inflamação silenciosa, já que, na maioria das vezes, não provoca sinais típicos de um processo inflamatório agudo, como dor, febre, vermelhidão ou inchaço.
Mesmo sem sintomas evidentes, essa resposta inflamatória pode permanecer ativa por meses ou até anos. Isso pode acontecer por dois motivos: exposição contínua a fatores de risco ou porque os mecanismos responsáveis por combater a inflamação não conseguem encerrar completamente o processo.
Embora seja discreta, a inflamação crônica de baixo grau pode alterar o funcionamento das células e dos tecidos, favorecendo o estresse oxidativo, a disfunção mitocondrial e algumas alterações metabólicas, o que contribui para o desenvolvimento e a progressão de diversas doenças crônicas.
Qual a relação entre inflamação crônica e envelhecimento?
Com o avanço da idade, é comum o aumento gradual dos marcadores inflamatórios, mesmo na ausência de infecções ou doenças agudas. Esse fenômeno é conhecido como inflammaging, termo que combina as palavras inflammation (inflamação) e aging (envelhecimento) e descreve um estado de inflamação crônica, sistêmica (atinge o corpo todo) e de baixo grau associado ao envelhecimento biológico.
Diversos fatores parecem estar envolvidos nesse processo, como alterações no funcionamento do sistema imunológico, acúmulo de células senescentes (células disfuncionais que não se dividem, mas não morrem), disfunção mitocondrial, estresse oxidativo, mudanças na microbiota intestinal, entre outras questões que podem ser comuns na idade avançada.
Estudos indicam que o inflammaging pode estar relacionado a condições como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, alterações cognitivas, sarcopenia e maior fragilidade. Ainda assim, esse processo não deve ser visto como algo inevitável ou sem possibilidade de cuidado. A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento profissional podem contribuir para modular a inflamação de baixo grau e favorecer um envelhecimento com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.
O que pode causar a inflamação crônica?
Diversos fatores ambientais, metabólicos e comportamentais estão associados ao desenvolvimento da inflamação crônica. Entre eles, destacam-se:
- Infecções persistentes, causadas por microrganismos que conseguem permanecer nos tecidos por longos períodos;
- Doenças autoimunes, como artrite ou lúpus, nas quais o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo;
- Exposição contínua a substâncias irritantes, como alguns poluentes e produtos químicos;
- Tabagismo, que reduz mecanismos naturais de controle da inflamação e favorece a produção de mediadores inflamatórios.
Além desses fatores, o estilo de vida também pode influenciar significativamente o quadro inflamatório. Uma alimentação desequilibrada, o sedentarismo, o estresse crônico, a privação de sono e os desequilíbrios da microbiota intestinal são fatores que merecem atenção nesse contexto. Entenda:
Alimentação desequilibrada
A alimentação tem papel importante na regulação dos processos inflamatórios. De acordo com estudos, o alto consumo de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, carboidratos refinados e gorduras de baixa qualidade, como as saturadas e as trans, podem favorecer um ambiente propício à inflamação crônica de baixo grau.
Os autores explicam que esse padrão alimentar está associado ao aumento de moléculas pró-inflamatórias e ao estresse oxidativo, além de alterações na microbiota e na permeabilidade da barreira intestinal. Esses fatores podem estimular continuamente o sistema imunológico, contribuindo para a manutenção da inflamação. Além disso, esse tipo de dieta está relacionado ao ganho de peso e ao acúmulo de gordura visceral, condições que intensificam ainda mais a produção de mediadores inflamatórios.
Sedentarismo
A baixa prática de atividade física pode comprometer o equilíbrio do sistema imunológico e estimular a inflamação. O tecido adiposo não atua apenas como reserva de energia, mas também como um órgão metabolicamente ativo, capaz de produzir diferentes substâncias inflamatórias.
Em um estudo, foi observado que adultos com maior tempo sedentário apresentaram níveis mais elevados de marcadores associados à inflamação sistêmica, sugerindo uma relação entre sedentarismo e inflamação crônica de baixo grau. Segundo os autores, a redução da atividade muscular prejudica o metabolismo das gorduras e diminui a sensibilidade à insulina, fatores que favorecem alterações metabólicas e inflamatórias.
Além dos efeitos sobre o metabolismo, o sedentarismo também contribui para o acúmulo de gordura corporal, que leva ao aumento da liberação de citocinas inflamatórias e da infiltração de células do sistema imunológico no tecido adiposo, contribuindo para um estado inflamatório persistente. Ao mesmo tempo, observa-se redução na produção de adiponectina, uma molécula associada à regulação do metabolismo e da resposta inflamatória.
Estresse crônico e privação de sono
O estresse e o sono estão diretamente ligados ao sistema imunológico e aos processos inflamatórios. Em situações de estresse agudo, a liberação de cortisol ajuda o organismo a responder a desafios e contribui para controlar a resposta inflamatória. No entanto, quando o estresse se torna crônico, a exposição prolongada a altos níveis desse hormônio pode comprometer esse mecanismo de regulação, favorecendo alterações na resposta imunológica e contribuindo para a manutenção de um estado de inflamação crônica de baixo grau.
Estudos também sugerem que a resistência à ação do cortisol em algumas células imunológicas pode reduzir seu efeito anti-inflamatório, contribuindo para o aumento da inflamação.
A privação de sono pode potencializar esse processo. De acordo com as evidências, dormir pouco ou ter um sono de baixa qualidade está associado a alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela produção de cortisol, além de favorecer o aumento de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6 e TNF-α. Essas alterações podem contribuir para a desregulação metabólica e imunológica observada em diferentes doenças crônicas, como obesidade, diabetes e condições autoimunes.
Desequilíbrios da microbiota intestinal
Grande parte das células de defesa do corpo está associada ao trato gastrointestinal, onde mantém contato constante com a microbiota intestinal, conjunto de microrganismos que vivem no intestino e contribuem para o equilíbrio do corpo.
Quando essa microbiota está equilibrada (eubiose), ela ajuda a preservar a integridade da barreira intestinal e produz substâncias, como alguns ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que atuam na manutenção da barreira e no equilíbrio inflamatório.
Por outro lado, alterações na composição da microbiota, conhecidas como disbiose, podem favorecer a inflamação. Nesse cenário, a barreira intestinal pode se tornar mais permeável, permitindo que componentes de bactérias do intestino alcancem a circulação e estimulem a produção de mediadores inflamatórios. Quando esse processo persiste, pode contribuir para a inflamação crônica.

Quais os principais sintomas da inflamação crônica?
Diferentemente da inflamação aguda, que costuma provocar sinais evidentes como dor, calor, vermelhidão e inchaço, a inflamação crônica de baixo grau geralmente se manifesta de forma mais sutil. Por isso, muitas pessoas convivem com seus efeitos por longos períodos sem perceber que eles podem estar relacionados a um processo inflamatório persistente.
Os sintomas podem variar de acordo com a intensidade da inflamação e com as características individuais, mas os frequentemente associados são:
- Fadiga persistente, mesmo após períodos de descanso;
- Dores musculares e articulares sem causa aparente;
- Dificuldade de concentração e sensação de “mente nebulosa”;
- Alterações digestivas, como desconforto abdominal, gases ou mudanças no funcionamento intestinal;
- Sensação constante de indisposição ou baixa energia.
A importância da avaliação profissional
Embora esses sintomas possam estar presentes em pessoas com inflamação crônica, eles não são suficientes para estabelecer um diagnóstico. Fadiga, dores ou alterações digestivas, por exemplo, podem ter causas variadas.
Por isso, a avaliação por um profissional de saúde é fundamental. O diagnóstico envolve uma análise do histórico clínico, dos hábitos de vida, do exame físico e, quando necessário, a solicitação de exames complementares que auxiliem na identificação da causa dos sintomas. A partir dessa investigação, é possível definir a conduta mais adequada para cada caso.
Como a inflamação crônica pode impactar a saúde ao longo do tempo?
Quando a inflamação permanece ativa por longos períodos, ela deixa de exercer apenas um papel de defesa e passa a contribuir para alterações no funcionamento do organismo.
Esse estado inflamatório persistente pode afetar diferentes sistemas, aumentando a vulnerabilidade a condições como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade, doenças neurodegenerativas e autoimunes.
Entretanto, é importante destacar que a inflamação crônica é influenciada por fatores modificáveis, como os hábitos saudáveis. Por isso, mudar o estilo de vida e buscar o acompanhamento médico e nutricional adequado pode evitar que o quadro evolua para o surgimento de outras doenças.
Como controlar a inflamação crônica por meio do estilo de vida
A inflamação crônica de baixo grau resulta da interação de diversos fatores, como alimentação, sedentarismo, privação de sono, estresse e alterações metabólicas. Por isso, seu controle não depende de uma única estratégia, mas da adoção de hábitos que contribuam para o equilíbrio do organismo como um todo.
Dessa forma, mudanças consistentes no estilo de vida podem reduzir estímulos inflamatórios, favorecer o funcionamento do sistema imunológico e contribuir para a prevenção de doenças crônicas. Veja os principais hábitos que podem fazer a diferença:
Alimentação
A alimentação é um dos fatores que mais influenciam os processos inflamatórios do organismo. De acordo com as evidências, padrões alimentares compostos majoritariamente por alimentos in natura e minimamente processados tendem a favorecer um ambiente metabólico mais equilibrado, enquanto o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras trans e saturadas, está associado ao aumento de marcadores inflamatórios.
Entre os alimentos que merecem destaque, estão aqueles ricos em fibras, que contribuem para a saúde da microbiota intestinal e para o controle dos níveis de açúcar no sangue, como cereais integrais (arroz, aveia, trigo, quinoa, centeio), leguminosas (feijões, grão de bico, lentilha), frutas, verduras e legumes. Além disso, oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), sementes (gergelim, girassol, abóbora, chia, linhaça), azeite de oliva e peixes ricos em ômega-3 (salmão, cavalinha, arenque) também agregam nutrientes importantes, como boas gorduras, proteínas, vitaminas e minerais.
Muitos desses alimentos também são fontes de polifenóis e outros compostos antioxidantes, que ajudam a modular a resposta inflamatória e a proteger as células contra o estresse oxidativo.
Dessa forma, fica evidente que o mais importante é manter uma alimentação variada e equilibrada, adequada em nutrientes envolvidos na manutenção da saúde e no equilíbrio dos processos inflamatórios. Além disso, contar com o acompanhamento de um nutricionista pode ser uma estratégia importante para elaborar um plano alimentar individualizado, que considera as necessidades, os objetivos e as condições de saúde de cada pessoa, tornando as mudanças de hábitos mais sustentáveis e eficazes a longo prazo.

Exercício físico
A prática regular de atividade física vai além dos benefícios para o condicionamento físico. O exercício contribui para reduzir a produção de alguns mediadores inflamatórios e estimular substâncias com ação anti-inflamatória.
Além disso, a atividade física auxilia no controle do peso corporal, melhora a sensibilidade à insulina, favorece a saúde cardiovascular e contribui para o equilíbrio do sistema imunológico. Para a maioria das pessoas, a recomendação é combinar exercícios aeróbicos com atividades de fortalecimento muscular, favorecendo o sistema cardiorrespiratório, o funcionamento das mitocôndrias e a saúde dos músculos. É importante ressaltar que se deve sempre respeitar as condições individuais e seguir a orientação profissional.
Sono adequado
Dormir bem é essencial para que o organismo realize processos de recuperação e manutenção da saúde. A privação crônica de sono está associada ao aumento de marcadores inflamatórios, alterações hormonais e maior risco de distúrbios metabólicos, fatores que podem favorecer a inflamação crônica de baixo grau.
Por outro lado, um sono adequado contribui para a regulação do sistema imunológico, para o equilíbrio hormonal e para a recuperação celular. Algumas medidas podem favorecer uma boa qualidade do sono, como manter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de telas próximo ao horário de dormir, reduzir o consumo de cafeína no período da noite, manter o quarto escuro e silencioso, e criar uma rotina relaxante antes de deitar.
- Saiba mais: Como dormir melhor e ganhar saúde.
Manejo do estresse
Embora situações estressantes façam parte da rotina, a exposição frequente a fatores que desencadeiam estresse pode gerar ou agravar processos inflamatórios. Dessa forma, é fundamental desenvolver estratégias que auxiliem no equilíbrio emocional, promovendo bem-estar físico e mental.
Nesse contexto, incorporar práticas de manejo do estresse pode fazer diferença no dia a dia. Meditação, exercícios de respiração, yoga, contato com a natureza, atividades de lazer, convívio social e momentos de descanso são exemplos de estratégias que ajudam a promover relaxamento e reduzir a sobrecarga física e emocional.
O mais importante é encontrar atividades que possam ser mantidas de forma consistente, favorecendo um estilo de vida mais equilibrado e saudável.
- Leia também: 10 dicas para te ajudar a controlar o estresse.
Quais nutrientes e ativos podem auxiliar no controle da inflamação, de acordo com estudos
Além dos hábitos relacionados ao estilo de vida, diferentes nutrientes e compostos bioativos são estudados por sua interação com mecanismos envolvidos na inflamação crônica.
É importante destacar que esses nutrientes e ativos não substituem uma alimentação equilibrada, a prática de atividade física, o sono adequado ou outros hábitos saudáveis.
Quando indicados, devem fazer parte de uma estratégia integrada de cuidado, sempre com orientação de um profissional de saúde, que avaliará as necessidades individuais e a melhor forma de utilização. Conheça os principais nutrientes e o que dizem os estudos:
Ômega-3
O ômega-3 é um tipo de gordura poli-insaturada essencial, importante para diferentes funções do organismo. Estudos indicam que a suplementação dos tipos principais de ômega-3, EPA e DHA, pode contribuir para a modulação da inflamação por diferentes mecanismos.
Entre eles, estão a redução da produção de substâncias inflamatórias, o aumento da formação de compostos anti-inflamatórios e pró-resolução, e a diminuição da migração de células inflamatórias.
Por esses efeitos, o ômega-3 tem sido estudado em diversas condições associadas à inflamação, com resultados mais consistentes em quadros como a artrite reumatoide, a obesidade e as doenças cardiovasculares.
Probióticos
Os probióticos são microrganismos vivos que podem ser encontrados naturalmente em alimentos fermentados, como iogurte com culturas vivas, kefir, kombucha, chucrute e kimchi, ou em suplementos específicos. Esses microrganismos têm potencial de modular a resposta imunológica e influenciar processos relacionados à inflamação, especialmente por meio da interação com a microbiota intestinal.
De acordo com estudos, algumas cepas probióticas podem contribuir para a integridade da barreira intestinal, reduzir a permeabilidade do intestino e modular o sistema imunológico. Os pesquisadores também descrevem que esses microrganismos podem influenciar o equilíbrio entre citocinas pró e anti-inflamatórias, e favorecer a produção de metabólitos, como os AGCC, que contribuem para uma resposta inflamatória mais equilibrada.
Prebióticos
Prebióticos são fibras alimentares e carboidratos não digeríveis presentes naturalmente em vegetais, frutas, grãos e sementes. Eles servem como “alimento” para as bactérias benéficas da microbiota, estimulando seu crescimento.
Um estudo avaliou a suplementação por 12 semanas com fibras prebióticas associadas a orientações de alimentação saudável em pessoas com síndrome metabólica. Em comparação ao grupo que recebeu apenas aconselhamento dietético, o grupo que utilizou as fibras prebióticas reduziu significativamente os níveis de proteína C-reativa, um marcador de inflamação sistêmica de baixo grau.
Também foi observado aumento de bactérias intestinais como Bifidobacterium e Parabacteroides, produtoras de metabólitos que auxiliam na redução da inflamação sistêmica por mecanismos como manutenção da barreira intestinal, produção de muco (que atua como barreira protetora) e regulação de citocinas.
N-acetilcisteína (NAC)
A N-acetilcisteína (NAC) é um derivado do aminoácido cisteína e amplamente conhecida por atuar como precursora da glutationa (GSH), um dos principais antioxidantes produzidos pelo organismo.
De acordo com um estudo, essa ação pode ser relevante no contexto da inflamação e do estresse oxidativo, processos envolvidos no desenvolvimento e na progressão de doenças cardiovasculares, especialmente da aterosclerose, condição inflamatória crônica em que há o acúmulo de placas nas artérias.
Nesse cenário, a NAC demonstrou potencial na redução de substâncias inflamatórias e de danos causados pelo excesso de radicais livres. O estudo também aponta que a NAC pode agir no equilíbrio inflamatório dos vasos sanguíneos, sugerindo possível atuação na fisiopatologia da aterosclerose.
GliNAC
O GliNAC é a junção da N-acetilcisteína (NAC) com a glicina, um aminoácido envolvido em muitos processos essenciais do organismo, como a síntese protéica, o funcionamento celular e a produção da glutationa.
Dessa forma, a associação entre esses dois compostos poderia contribuir para restaurar os níveis de glutationa, ajudando a reduzir o estresse oxidativo, um dos mecanismos envolvidos na inflamação crônica.
Em estudos com adultos mais velhos, a suplementação com GliNAC foi associada à melhora de marcadores relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação, além de benefícios em parâmetros metabólicos e na função mitocondrial, frequentemente relacionados ao envelhecimento e ao desenvolvimento de doenças crônicas.
Polifenóis
Os polifenóis são compostos bioativos presentes em alimentos de origem vegetal, como frutas, verduras, especiarias, chás e cacau, por exemplo. Essas substâncias, com destaque para a curcumina, a quercetina e o resveratrol, possuem capacidade de interagir com diferentes processos biológicos, incluindo mecanismos relacionados ao estresse oxidativo e à resposta inflamatória. Veja o que os estudos destacam sobre seus efeitos:
- Curcumina: principal polifenol da cúrcuma (Curcuma longa), esse composto pode influenciar a produção de citocinas pró-inflamatórias e o estresse oxidativo. Uma metanálise de estudos observou que a suplementação com curcumina pode contribuir para a redução de marcadores de inflamação como PCR, IL-6 e TNF-α. Esses efeitos parecem estar relacionados à modulação de vias inflamatórias, além de sua ação antioxidante, com redução do malondialdeído (marcador de estresse oxidativo);
- Quercetina: encontrada em alimentos como cebola, maçã, uva e brócolis, estudos revelam que seus efeitos parecem estar relacionados à redução de mediadores inflamatórios, como óxido nítrico, TNF-α, IL-1β, IL-6 e IFN-γ, além da inibição de vias de inflamação. Os autores também mencionam que a quercetina pode estimular a IL-10 (citocina anti-inflamatória) e reduzir o estresse oxidativo associado ao excesso de óxido nítrico;
- Resveratrol: substância presente principalmente na casca da uva, em frutas vermelhas e no amendoim. Um estudo avaliou a suplementação de resveratrol por 24 semanas em pessoas com diabetes tipo 2. Houve melhora no controle da glicose e da insulina, além de redução de marcadores ligados à inflamação e ao estresse oxidativo. De forma geral, o estudo sugere que o resveratrol pode contribuir para o equilíbrio metabólico e para a redução de processos inflamatórios em pessoas com diabetes tipo 2.
Astaxantina
A astaxantina é um pigmento natural da família dos carotenoides que apresenta propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Uma revisão que reuniu estudos clínicos em humanos indica que sua suplementação pode contribuir para a melhora de parâmetros metabólicos e inflamatórios em diferentes contextos de saúde, como obesidade, diabetes tipo 2, pré-diabetes e Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).
Nesses grupos, foram observadas melhorias na glicemia, na resistência à insulina, no perfil lipídico e em marcadores inflamatórios, sobretudo quando a suplementação foi associada à prática de exercícios físicos em indivíduos que já apresentavam alterações metabólicas.
Segundo os autores, esses efeitos podem estar relacionados à capacidade da astaxantina de reduzir o estresse oxidativo e modular vias inflamatórias envolvidas, como a NF-κB, além de favorecer mecanismos celulares importantes para o equilíbrio metabólico.
Nanomicelas de astaxantina
Mesmo apresentando efeitos promissores, é necessário enfatizar que a astaxantina é uma substância lipofílica. Ou seja, sua suplementação na forma convencional, quando recomendada por um médico, pode apresentar desafios relacionados à absorção.
Dessa maneira, algumas estratégias e tecnologias na manipulação podem ser importantes para melhorar a entrega desse ativo. Na Essentia Pharma, a astaxantina é incorporada em nanomicelas, sistemas nanométricos que atuam como uma “capa protetora”, envolvendo o ativo em lipídeos biocompatíveis e melhorando sua biodisponibilidade. Com isso, há uma melhora na absorção e, consequentemente, na eficácia terapêutica.
Palmitoiletanolamida (PEA)
PEA (palmitoiletanolamida) é um lipídio natural produzido pelo organismo que pode ser encontrado em alguns alimentos, suplementos e na manipulação. Sua principal atuação está associada à modulação da inflamação e da dor, especialmente na dor crônica nociceptiva musculoesquelética e neuropática, que pode ocorrer em casos de osteoartrite e neuropatia diabética, por exemplo.
Em estudos, essa substância demonstrou potencial em reduzir a intensidade da dor, a necessidade de medicamentos de resgate e a melhora da funcionalidade, dos sintomas neuropáticos e da qualidade de vida. Segundo os autores, esses efeitos podem estar relacionados às suas ações anti-inflamatórias e neuroprotetoras, incluindo a modulação da ativação de mastócitos e de vias inflamatórias como a NF-kB.
Entretanto, por ser um lipídio, PEA apresenta baixa solubilidade em água. Dessa forma, quando utilizado em suplementação por recomendação médica, pode ter sua absorção comprometida, sendo necessário o uso de tecnologias avançadas na manipulação deste composto.
Cronilief®
Para superar essas limitações de absorção, foi desenvolvido o Cronilief®, um nutracêutico que associa palmitoiletanolamida à tecnologia Phytosome®. As evidências mostram que Cronilief® possui solubilidade aproximadamente 8 vezes superior em comparação à PEA sem essa tecnologia, o que pode favorecer seus efeitos destacados pela ciência.
Esse ativo faz parte das inovações farmacêuticas da Essentia Pharma, que busca encontrar abordagens terapêuticas tecnológicas e inovadoras, a fim de entregar mais qualidade e eficiência em cada formulação. Acesse o nosso site e saiba mais.






