A spirulina é considerada uma das formas de vida mais antigas da Terra, e sua história como elemento nutricional é bastante antiga, historicamente entre os astecas.
Conhecida pelo seu alto teor de proteínas e micronutrientes, a ciência investiga quais efeitos pode ter no organismo e seus impactos na saúde.
Se você já ouviu falar em spirulina, mas ainda não sabe exatamente o que é e quais podem ser seus efeitos no organismo, este conteúdo vai te ajudar. A seguir, reunimos as principais informações e o que a ciência tem pesquisado nos últimos anos. Continue a leitura!
O que é a spirulina?
Utilizada na alimentação humana há milênios e reconhecida pela sua abundância de nutrientes, a spirulina é uma cianobactéria de cor verde-azulada, isso é, um microrganismo procarionte que realiza fotossíntese, popularmente conhecida como uma microalga.
A spirulina pode ser cultivada tanto em água doce quanto salgada, e seu cultivo é considerado de baixo custo. Entre as muitas variedades, as espécies mais estudadas são: Arthrospora platensis, Arthrospora maxima e Arthrospora fusiformis.
Essa cianobactéria tornou-se popular devido às suas propriedades nutricionais, sendo fonte de proteínas, aminoácidos essenciais, ácidos graxos, minerais, vitaminas e antioxidantes.
Devido ao seu potencial nutricional, também foi reconhecida e recomendada pela NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) e pela ESA (Agência Espacial Europeia) como suplemento alimentar para viagens espaciais. Além disso, também ficou conhecida como “alimento do futuro” em publicações ligadas à ONU.
Propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias
A spirulina é composta por diversos antioxidantes, incluindo betacaroteno, ficocianina, tocoferóis e compostos fenólicos. Esses compostos, além de combater os radicais livres e evitar o estresse oxidativo, também mostraram aumentar a produção e atividade de outras substâncias antioxidantes do organismo.
Além do seu perfil antioxidante, também é descrita em pesquisas como tendo capacidade de modular funções imunológicas e inflamatórias. De acordo com ensaios in vitro, in vivo e em humanos, a spirulina aumenta a atividade de células imunes, estimulando a produção de anticorpos e de citocinas anti-inflamatórias e inibindo vias pró-inflamação.
Esses efeitos explicam porque a spirulina parece contribuir em algumas condições específicas, de acordo com estudos.
Efeitos da spirulina no organismo: o que a ciência diz sobre
Pesquisadores acreditam que a spirulina possui diversas propriedades que podem impulsionar a saúde, sendo considerada uma fonte única de nutrientes que pode auxiliar na homeostase, isso é, no equilíbrio dos sistemas do corpo humano.
Além disso, seu uso como suplemento em contextos específicos, quando é devidamente prescrito por um profissional de saúde, pode trazer efeitos benéficos ao organismo em algumas condições, conforme mostram os estudos a seguir:
Hemoglobina e hemograma
A spirulina é rica em ferro, contendo cerca de 28mg do mineral a cada 100g. Por isso, pode ter efeitos no metabolismo do ferro e ação na hemoglobina, como sugerem algumas pesquisas.
Em um estudo realizado com 40 pessoas de 50 anos ou mais que receberam suplementação de spirulina durante 12 semanas, foi demonstrado que a cianobactéria aumentou de maneira constante os valores médios da hemoglobina corpuscular média, isso é, a quantidade média de hemoglobina dentro de cada glóbulo vermelho.
Também foram observados aumentos em indicadores de função imunológica e nos leucócitos. Ainda, mais da metade dos homens do estudo apresentou aumento nos valores de 5 dos 7 parâmetros do hemograma que foram avaliados.
Além do alto teor de ferro, a presença de ficocianina também poderia explicar o efeito benéfico da spirulina em indicadores sanguíneos, pois ela parece atuar na medula óssea, induzindo a produção de células vermelhas e brancas do sangue.
Saúde hepática
Alguns estudos sugerem que a spirulina tem efeitos sobre a saúde hepática e sua ação pode ajudar a reduzir a inflamação na gordura visceral. Com isso, indiretamente pode contribuir para diminuir o acúmulo de gordura no fígado.
Ainda, um estudo piloto com adultos com doença hepática gordurosa não alcoólica analisou os efeitos da suplementação de spirulina durante seis meses. Os autores observaram múltiplos efeitos metabólicos, como melhora do perfil lipídico, redução de peso, redução dos níveis de enzimas de dano hepático, aumento de hemoglobina e melhora na qualidade de vida dos participantes.
De acordo com a pesquisa, os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios da spirulina protegem o fígado e seriam os responsáveis pelos benefícios observados.
Pressão arterial e perfil lipídico
Um estudo realizado com 40 indivíduos adultos com hipertensão e sem doença cardiovascular que receberam suplementação de spirulina durante três meses concluiu que a cianobactéria apresentou efeitos na redução da pressão arterial sistólica e no índice de rigidez, que mede o quão rígidas as artérias estão. Possivelmente, as substâncias antioxidantes da cianobactéria agem aumentando a produção de óxido nítrico, um potente e importante vasodilatador, auxiliando no equilíbrio da pressão arterial.
Ainda, um ensaio clínico feito com 50 pessoas com obesidade e hipertensão em tratamento anti-hipertensivo e que receberam suplementação de spirulina por três meses, mostrou que os participantes tiveram uma redução significativa no colesterol LDL, o considerado “ruim”, e no colesterol total, além de diminuição do peso, do índice de massa corporal (IMC) e da circunferência da cintura, o que também pode contribuir para promover a saúde cardiovascular.
De acordo com os pesquisadores, a ficocianina age diminuindo a absorção de colesterol da dieta e também estimula a sua “quebra” dentro do organismo, o que impacta na redução dos seus níveis.
Desempenho físico
Um ensaio clínico realizado com pessoas com sobrepeso e obesidade sugeriu que a suplementação com spirulina durante seis semanas associada à prática de exercícios físicos pode potencializar os resultados dos treinos, melhorando a composição corporal e também parâmetros de aptidão cardiorrespiratória, como fôlego, resistência e desempenho aeróbico. Uma das hipóteses é que os antioxidantes da spirulina podem contribuir para impedir o acúmulo de radicais livres que são produzidos naturalmente durante atividades físicas.
De acordo com os pesquisadores, os resultados sugerem ainda que a cianobactéria também contribui para que a fadiga demore mais tempo para ser sentida durante exercícios de alta intensidade, além de apresentar efeito preventivo contra danos à musculatura esquelética, devido aos seus efeitos anti-inflamatórios que podem favorecer a adaptação muscular ao esforço.
Rinite alérgica
Alguns artigos sugerem que a spirulina pode minimizar os sintomas da rinite alérgica, podendo ser utilizada como um tratamento alternativo, conforme um estudo realizado com 150 adultos que sofrem com a doença. Comparada com o placebo, a spirulina reduziu os sintomas como secreção nasal, espirros, congestão nasal e coceira.
Uma hipótese discutida associa os resultados às suas propriedades anti-inflamatórias, que podem estar relacionadas à redução de processos inflamatórios envolvidos em quadros alérgicos.
Saciedade e composição corporal
O uso da spirulina pode estar associado com o aumento da saciedade e redução do apetite e, consequentemente, com a perda de peso e outros efeitos relacionados à composição corporal.
É o que investigou um ensaio clínico realizado com adultos com obesidade que receberam, juntamente com uma dieta de restrição calórica, suplementação de spirulina ou placebo por 12 semanas. Aqueles que receberam o suplemento apresentaram redução significativa no peso corporal, na circunferência da cintura, na gordura corporal e no índice de massa corporal. Eles também relataram maior diminuição no escore de apetite em comparação aos que receberam placebo.
Os autores sugerem que a spirulina pode ajudar na redução do apetite e no manejo de peso devido aos seus possíveis efeitos moduladores em vias anti-inflamatórias e de saciedade.
Glicemia
Com sua alta concentração de nutrientes funcionais, evidências também sugerem que a spirulina pode contribuir para o equilíbrio dos níveis de açúcar no sangue em jejum.
Segundo um estudo realizado com pessoas com diabetes mellitus tipo 2, a suplementação com spirulina por 2 meses resultou em uma redução da glicose no sangue em jejum e também pós-prandial, isso é, após o consumo de alimentos contendo carboidratos.
O mesmo estudo também observou uma redução significativa no nível de hemoglobina glicada, exame que mostra a média dos níveis de açúcar no sangue nos últimos meses. Segundo os autores, isso poderia indicar uma melhora na regulação da glicose a longo prazo.
Ainda, outro estudo sugere que por sua capacidade antioxidante e anti-inflamatória, a spirulina tem potencial para ser um alimento funcional que poderia ajudar como adjuvante para o controle do diabetes.
Aqui, a hipótese seria a ação da spirulina em processos relacionados à regulação da glicose, contribuindo para reduzir o estresse oxidativo e marcadores inflamatórios, o que auxiliaria na melhora da sensibilidade à insulina e no controle glicêmico.
Como a spirulina pode ser consumida?
A spirulina pode ser consumida como um alimento funcional, mas seu cheiro não é tão agradável e, por isso, é mais comumente encontrada como suplemento em diferentes tipos de formas farmacêuticas, como cápsula, comprimido ou em pó, o que facilita a sua utilização.
Em pó, a spirulina pode ser apresentada nas cores verde, azul ou verde-azulada e ter um sabor mais amargo e marcante. Por isso, a opção em cápsula pode ser uma alternativa para quem tem o paladar mais sensível, além de ser uma forma farmacêutica que oferece praticidade para ser ingerida em qualquer ocasião.
Contudo, é importante destacar que a spirulina pode não ser indicada para todo mundo. Por isso, é indispensável buscar orientação profissional.
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